Indicador da CryptoQuant fica verde para o Bitcoin pela 1ª vez desde 2023

  • Bull-Bear Cycle da CryptoQuant entra em zona verde após dois anos
  • Bitcoin tenta romper resistência de US$ 82 mil após alta de 35%
  • Analistas alertam para falso positivo registrado em março de 2022

O Bull-Bear Market Cycle Indicator, métrica on-chain monitorada pela CryptoQuant, mudou de cor pela primeira vez desde março de 2023. A leitura saiu do território de baixa e entrou na faixa inicial de alta, sugerindo que a pior fase da correção pode ter ficado para trás.

O alerta foi publicado pelo analista Julio Moreno, responsável pela área de mercados on-chain da firma. Segundo ele, o gatilho costuma funcionar como sinal de mudança de regime. Quando o indicador deixa a zona vermelha, a estrutura de mercado tende a iniciar um processo de recuperação.

Assim, a virada acontece com o Bitcoin testando a barreira dos US$ 82 mil. O ativo já tentou superar o nível várias vezes em maio sem sucesso, mesmo após acumular ganhos de 35% desde a mínima de US$ 60 mil registrada em fevereiro. Em reais, a cotação ronda a faixa de R$ 460 mil nas principais exchanges brasileiras.

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O que o histórico mostra

Moreno lembra que o mesmo indicador virou verde em 2019 e no início de 2023, ambos momentos seguidos por tendências de alta consistentes. Mati Greenspan, fundador da Quantum Economics e ex-analista sênior da eToro, descreveu a métrica como detector de mudança de regime, não bola de cristal.

Além disso, a leitura completa, segundo Greenspan, depende de confirmação posterior. Assim, a demanda sustentada, liquidez e aceitação de preços em patamares mais altos precisam aparecer nas semanas seguintes. Sem isso, a virada do indicador fica em suspenso.

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Há um precedente desconfortável. Assim, emarço de 2022, o mesmo sinal apareceu e entregou um falso positivo, antecedendo uma queda ainda mais profunda. Moreno reconheceu o caso como exceção crítica que mantém parte do mercado em modo defensivo.

Resistência técnica e pano de fundo macro

O cenário de maio de 2026 mistura sinais opostos. As métricas on-chain melhoram, a média móvel de 30 dias se recupera e o BTC deixou de se comportar como ativo de bear market profundo. Por outro lado, o Índice de Medo e Ganância segue em zona neutra e o pano macro é complexo.

O CPI americano de abril veio acima do esperado, derrubando as apostas em cortes agressivos do Fed neste semestre. Tensões geopolíticas envolvendo o Irã e a aproximação da cúpula entre Trump e Xi adicionam ruído. Esse mix explica por que o rompimento dos US$ 82 mil não se sustenta — investidores institucionais ainda exigem confirmação macro antes de aumentar exposição.

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O que vem pela frente

Para Moreno, a confirmação do sinal exige que o Bitcoin supere a exaustão visível em métricas secundárias. Arthur Hayes, diretor de investimentos da Maelstrom e cofundador da BitMEX, não comentou o indicador da CryptoQuant, mas aposta em US$ 126 mil como próxima máxima. Ele aponta os US$ 90 mil como o gatilho que tornaria o rali explosivo.

Assim, há quem discorde da leitura otimista. Parte dos analistas vê risco de o ativo testar novamente a zona dos US$ 56 mil caso o rompimento dos US$ 82 mil fracasse. Além disso, a divergência reforça o peso do nível como linha divisória entre dois cenários opostos para o segundo semestre.

Jason Fernandes, cofundador da AdLunam, fez ressalva metodológica. Métricas como MVRV e NUPL nunca foram desenhadas como sinais precisos de trading. Funcionam melhor como leituras comportamentais sobre onde o Bitcoin se encontra dentro de um ciclo de liquidez mais amplo. A análise complementa o golden cross recente do MVRV, que também sinalizou reversão estrutural.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.
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