- 29 milhões de brasileiros já investiram em cripto, supera torcida do Corinthians
- Base cripto é 2,3 vezes maior que a de investidores da bolsa
- Faixa de 1 a 2 salários mínimos concentra maior adesão a ativos digitais
Cerca de 29 milhões de brasileiros já investiram ou tiveram criptomoedas, segundo a segunda edição da Pesquisa Nacional das Criptomoedas, realizada pela Paradigma Education em parceria com o Datafolha.
De acordo com os dados, o contingente corresponde a 17,2% dos entrevistados e coloca os criptoativos entre as cinco modalidades de investimento mais populares do país. Na primeira edição do levantamento, divulgada em 2025, a proporção era de 16%, equivalente a aproximadamente 25 milhões de pessoas.
“É natural que, conforme o usuário passa a confiar mais na tecnologia e a adotar os criptoativos no dia a dia, ele passe a exigir representatividade. O investidor não quer apenas usar cripto; ele quer ver suas escolhas respeitadas e pautadas no debate político, cobrando compromisso de candidatos que entendam e defendam quem já faz parte dessa nova economia.”, disse Julia Rosin, diretora-presidente da ABCripto.
Apesar do aumento de cerca de quatro milhões na estimativa, a diferença de 1,2 ponto percentual entre as duas edições está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa. Portanto, os dados indicam estabilidade estatística, e não permitem afirmar isoladamente que houve crescimento da adoção no período.
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Base de investidores se aproxima da população do Nepal
Em uma comparação internacional, o contingente estimado de brasileiros que já tiveram criptomoedas supera a população de países como a Austrália, com 27,6 milhões de habitantes, e a Venezuela, com 28,5 milhões.
O número também se aproxima da população do Nepal, estimada em 29,6 milhões. Se formassem um país hipotético, portanto, os brasileiros que já investiram em cripto constituiriam uma população situada entre as do Nepal e da Venezuela.
Os valores populacionais são os dados mais recentes do Banco Mundial, referentes a 2025. Como os 29 milhões da pesquisa são uma projeção arredondada e sujeita à margem de erro, a comparação serve apenas para dimensionar a escala da adoção — não como equivalência demográfica exata.
Criptomoedas superam ações em 2,3 vezes

A poupança continua como o investimento mais disseminado entre os brasileiros: 57,1% disseram já ter aplicado na modalidade. Na sequência aparecem imóveis, com 34%; dinheiro guardado em casa, com 30,5%; e fundos de investimento, com 26,1%.
As criptomoedas ocupam o quinto lugar, com 17,2%, à frente de títulos públicos e certificados de depósito bancário (CDBs), citados por 15,1%; dólar e outras moedas, com 14%; ouro, com 9,8%; e ações, com 7,4%.
Com isso, a proporção de brasileiros que já tiveram cripto é 2,3 vezes maior que a dos que declararam ter investido em ações.
Os organizadores também comparam os 17,2% da pesquisa à torcida do Corinthians. Um levantamento Datafolha separado, feito em julho de 2026, atribuiu ao clube a preferência de 14% dos brasileiros com 16 anos ou mais. A comparação ajuda a dimensionar o contingente, mas é apenas ilustrativa, pois as pesquisas foram realizadas em datas diferentes e mediram comportamentos distintos.
Bancos viram principal porta de entrada para cripto
Embora o Bitcoin tenha surgido com a proposta de permitir transferências sem intermediários financeiros, os bancos se tornaram o principal canal de acesso dos brasileiros aos criptoativos.
Entre os entrevistados que já investiram no setor, 83% disseram ter usado o aplicativo de um banco. As demais vias citadas incluem carteiras próprias, com 26%; corretoras de criptomoedas, com 20%; e fundos negociados em bolsa (ETFs), com 18%. Os percentuais mostram que os canais não são excludentes e podem se sobrepor.
A parcela dos brasileiros que afirma conhecer criptomoedas chegou a 66,4%, alta de 10,1 pontos percentuais em relação a 2025. O Bitcoin (BTC) permanece como o ativo mais reconhecido, citado por 60,7% dos entrevistados. Ether (ETH) aparece com 11,1%, enquanto o Drex, projeto de moeda digital do Banco Central, foi mencionado por 10,3%.
O avanço do conhecimento, porém, ainda não eliminou as barreiras de entrada. Entre as pessoas familiarizadas com cripto que nunca investiram, 77% consideram a tecnologia complexa e 42% dizem não ter informação suficiente para aplicar no setor.
Ainda assim, 30% dos entrevistados que conhecem criptomoedas afirmaram que pretendem investir nos próximos dois anos. Entre quem já possui ativos digitais, a intenção sobe para 63%.
Maioria dos investidores ganha até três salários mínimos
A pesquisa também contraria a percepção de que criptomoedas são um produto restrito às faixas de renda mais altas. Entre as pessoas que já investiram, 63,5% recebem até dois salários mínimos e 77,6% ganham até três salários mínimos.
Esses percentuais descrevem a composição de renda do grupo de investidores. Eles não significam que 77,6% de todos os brasileiros que recebem até três salários mínimos investem em cripto.
A desigualdade de gênero, por outro lado, permanece. Entre os homens, 74,6% afirmaram conhecer moedas digitais, ante 58,9% das mulheres. A parcela que declarou conhecer e investir no setor foi de 23,6% entre os homens e 11,3% entre as mulheres.
O levantamento identificou uma dimensão política entre os detentores de ativos digitais. Para 65,8% dos brasileiros que têm ou já tiveram criptomoedas, é importante votar em candidatos ao Congresso comprometidos com a proteção dos direitos dos usuários do setor.
Entre os entrevistados que mantêm os ativos em carteiras próprias, o percentual chega a 89,6%. No recorte ideológico, 22,3% dos investidores se definiram como de extrema direita e 21,6% como de centro.
A segunda Pesquisa Nacional das Criptomoedas ouviu presencialmente 2.004 pessoas em 137 municípios de todas as regiões do país, entre 11 e 14 de maio de 2026. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O estudo teve apoio de Coinbase, Hashdex e ABCripto, organizações com atuação direta no mercado de ativos digitais.



