- Jefferies alerta para volatilidade e recomenda proteção imediata
- Reembolsos bilionários podem demorar e gerar novas tensões
- Mercados seguem instáveis com incerteza sobre decisão da Suprema Corte
Os analistas de Wall Street mantêm os investidores em alerta enquanto a Suprema Corte se prepara para decidir o futuro das tarifas impostas na era Trump. A corretora Jefferies recomenda cautela, pois uma reviravolta inesperada pode gerar forte instabilidade nos mercados globais.
A maioria dos investidores acredita na queda das tarifas, mas a Jefferies argumenta que o cenário ainda permanece incerto. O estrategista Aniket Shah afirmou que uma decisão contrária ao consenso poderia abalar fortemente os mercados, sobretudo porque poucos esperam a manutenção das tarifas.
Seu conselho é direto. Ele sugere opções de venda e instrumentos de volatilidade como forma de proteção prudente. Além disso, setores menos expostos ao comércio internacional, como alimentos e produtos básicos, podem oferecer abrigo temporário.
Incerteza domina o mercado antes do veredicto final
O maior ponto de tensão é que ninguém sabe quando a Suprema Corte divulgará a decisão. Os juízes retornam apenas em 20 de fevereiro, e a expectativa cresce diariamente. A Jefferies acredita que as tarifas serão derrubadas, mas ressalta que as tensões comerciais voltaram a ganhar força, especialmente após novas pressões políticas ligadas a Trump e à disputa envolvendo a Groenlândia.
Nas últimas semanas, o mercado já sentiu o impacto de decisões inesperadas. No dia 9 de janeiro, as ações da Mattel e da Deere caíram após uma decisão aguardada que nunca ocorreu. Logo depois, o índice S&P 500 registrou forte queda quando Trump ameaçou tarifas contra oito países europeus.
A recuperação só veio na quarta-feira, após Trump recuar da ideia de usar força para assumir o controle da Groenlândia. No entanto, a Jefferies alerta que, se o tribunal confirmar as tarifas, isso abrirá espaço para o uso contínuo dessas medidas como ferramenta de pressão política.
Reembolsos bilionários e riscos adicionais no horizonte
Se a Suprema Corte considerar as tarifas ilegais, empresas podem receber reembolsos bilionários. Mesmo assim, especialistas pedem cautela. Eles afirmam que o processo poderia durar anos, especialmente pelas disputas sobre valores e beneficiários.
Trump reforçou essa visão ao escrever que a devolução dos recursos seria “quase impossível de administrar”. Ainda assim, especialistas em alfândega discordam e alegam que os registros tornam o processo claro e documentado.
Mesmo que reembolsos ocorram, os consumidores não devem esperar quedas imediatas de preços. Varejistas afirmam que absorveram parte dos custos das tarifas e usarão qualquer recuperação para recompor margens.
O cenário jurídico também pode se complicar. A Suprema Corte pode derrubar as tarifas, mas deixar o tema dos reembolsos para o Tribunal de Comércio Internacional, o que prolongaria ainda mais o processo. Mais de mil casos já aguardam análise.
O Tesouro insiste que possui recursos para lidar com possíveis devoluções. Porém, considera improvável que os juízes revoguem totalmente os poderes de emergência que sustentam as tarifas.
Enquanto isso, o governo mantém alternativas prontas. Entre elas, a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite tarifas temporárias de 15%. A Seção 301 e a Seção 338 também seguem disponíveis.
No fim, os analistas concordam em um ponto, a volatilidade permanecerá elevada, e os investidores devem reforçar proteções até o tribunal decidir o rumo das tarifas.
