- Bancos europeus aceleram adoção prática de stablecoins
- Empresas impulsionam uso para eficiência e liquidação
- Regulamentação MiCA fortalece crescimento do mercado
O mercado de stablecoins na Europa entrou em uma nova fase e deixou para trás o estágio experimental. Agora, bancos e empresas avançam com implementação prática.
Nos últimos meses, a adoção acelerou porque empresas passaram a exigir soluções financeiras mais eficientes. Com isso, a demanda deixou de ser teórica.
Segundo Lamine Brahimi, da Taurus, instituições europeias já tomam decisões operacionais. Antes, o foco era entender riscos. Agora, a prioridade é executar.
Além disso, o avanço regulatório mudou o cenário. A chegada do MiCA unificou regras e reduziu incertezas no bloco europeu.
Como resultado, o setor financeiro ganhou confiança. Assim, bancos passaram a integrar ativos digitais às suas estruturas tradicionais.
Bancos aceleram projetos e estruturam novas stablecoins
Com esse novo ambiente, grandes bancos europeus iniciaram projetos concretos. Eles não apenas estudam, mas constroem infraestrutura.
Um dos principais exemplos envolve o consórcio com ING, UniCredit, CaixaBank e BBVA, que desenvolve a stablecoin Qivalis.
O projeto busca viabilizar pagamentos e liquidações on-chain regulamentadas em toda a Europa. Isso representa um avanço direto na integração financeira.
Ao mesmo tempo, o Société Générale já posiciona suas stablecoins para uso em câmbio, liquidação e gestão de caixa. Além disso, o banco Oddo BHF lançou uma stablecoin em euro alinhada ao padrão MiCA, reforçando a tendência.
Outro movimento importante envolve a criação de uma stablecoin em franco suíço. Bancos como BNP Paribas participam da iniciativa. Paralelamente, o ClearBank Europe se tornou a primeira instituição holandesa autorizada sob o MiCA para operar com criptoativos.
Dessa forma, o setor bancário europeu assume protagonismo na consolidação das stablecoins como infraestrutura financeira.
Empresas impulsionam uso com foco em eficiência e liquidez
Enquanto bancos estruturam a base, empresas aceleram a demanda real. As equipes de tesouraria lideram esse movimento. Inicialmente, o uso se concentra em pagamentos e liquidação. No entanto, o foco rapidamente evolui para eficiência operacional.
As empresas buscam transferências mais rápidas, menores custos e operações fora do horário bancário tradicional. Segundo Brahimi, quando clientes exigem melhores condições, a adoção se torna imediata e prática.
Dados da Paybis reforçam essa tendência. Entre outubro de 2025 e março de 2026, o volume de USDC na União Europeia cresceu 109%.
Além disso, a participação das stablecoins subiu de 13% para 32% no período. Isso indica expansão consistente. Outro dado relevante mostra que compras superam vendas em até seis vezes. Isso sugere uso corporativo contínuo.
O tamanho médio das transações também aumentou entre 15% e 35%, acima de Bitcoin e Ether. Segundo analistas, esse padrão indica uso para capital de giro e liquidação empresarial, não apenas especulação.
No longo prazo, as projeções são ainda mais ambiciosas. A Chainalysis estima que o volume pode atingir US$ 719 trilhões até 2035. Em um cenário otimista, o número pode chegar a US$ 1,5 quatrilhão, caso as stablecoins dominem os pagamentos globais.
Para Will Harborne, da Rhino.fi, empresas que se prepararem agora terão vantagem competitiva. Ele afirma que o uso corporativo tende a se tornar padrão. Assim, as stablecoins devem integrar o sistema financeiro global.
No ritmo atual, a Europa se posiciona como um dos principais polos dessa transformação estrutural.
