- Choques geopolíticos, incerteza regulatória e baixa liquidez explicam a volatilidade atual do Bitcoin.
- Estrutura de longo prazo permanece intacta, com suporte técnico entre US$ 85 mil e US$ 88 mil segurando o mercado.
- ETF outflows, adiamento do CLARITY Act e tensões globais criam turbulência, mas não alteram a tese estrutural do BTC.
O mercado de Bitcoin atravessa um período de forte questionamento, mas especialistas afirmam que a turbulência recente não altera a tese estrutural da criptomoeda. Em vez disso, o movimento atual reflete uma combinação de choques geopolíticos, incertezas regulatórias e condições de liquidez mais frágeis.
De acordo com o analista Matt Mena, da 21Shares, o sentimento do mercado se apoia mais no medo de curto prazo do que em uma mudança profunda no comportamento dos investidores. A volatilidade continua elevada. No entanto, os sinais apontam para uma correção temporária dentro de uma tendência ampla que permanece intacta.
Nas últimas semanas, o Bitcoin oscilou entre a região dos US$ 85 mil e US$ 98 mil, pressionado por fatores externos que afetaram o apetite global por risco. Em janeiro, uma sequência de eventos testou simultaneamente a confiança dos investidores. Além disso, esses eventos testaram a resistência das infraestruturas de ativos digitais.
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos desencadeou oscilações rápidas em mercados de energia e cripto. Embora o impacto estrutural seja limitado, o episódio reforçou preocupações ligadas à fragmentação geopolítica.
Além disso, a instabilidade no Irã adicionou mais tensão ao cenário. O colapso do rial iraniano levou o Bitcoin a subir mais de 2.000% contra a moeda local, evidenciando sua função como proteção em países sujeitos a controles de capital e incerteza bancária.
Bitcoin
Ao mesmo tempo, a postergação do pacote regulatório CLARITY Act e o risco de paralisação do governo americano aumentaram a aversão ao risco. Com mercados tradicionais fechados nos fins de semana, o setor cripto absorveu sozinho os impactos. Isso ampliou as quedas em períodos de liquidez reduzida.
A ameaça de tarifas de 10% sobre países europeus adicionou mais pressão. A incerteza levou a mais de US$ 1 bilhão em saídas de ETFs de Bitcoin. Esse movimento foi revertido parcialmente quando um acordo internacional foi anunciado. De forma semelhante, a fragilidade das altcoins continuou evidente, com a capitalização do setor travada entre US$ 800 bilhões e US$ 1 trilhão. Isso é um reflexo direto da ausência de clareza regulatória que impede uma alocação institucional mais ampla.
Mesmo com tanta oscilação, os padrões históricos mostram que choques semelhantes costumam gerar quedas de 4% a 8% em até 48 horas. Essas quedas são seguidas por recuperações que ultrapassam 20% em um mês. O comportamento técnico atual respeita níveis importantes: o suporte entre US$ 85 mil e US$ 86 mil segurou a maior parte da pressão. Por outro lado, a resistência entre US$ 95 mil e US$ 98 mil ainda representa o próximo desafio para restabelecer a tendência.
Os sinais de mercado também mostram cautela, mas não colapso. O índice Fear & Greed permanece em zona de medo, mas sem pânico generalizado. As posições em derivativos continuam equilibradas, o que sugere incerteza, não excesso de alavancagem. Já os ETFs encerraram o período com saídas líquidas de cerca de US$ 700 milhões. Esse movimento está mais associado a eventos episódicos do que a um fluxo estrutural negativo.
Para onde vai o preço do Bitcoin agora?
Entre os pontos positivos, cresce a expectativa em relação ao CLARITY Act, visto como o principal catalisador para destravar capital em altcoins e protocolos de DeFi. Paralelamente, iniciativas para preparar o setor para a era da computação quântica avançam rapidamente. Isso indica que o debate tecnológico não perdeu força. Grandes instituições continuam ampliando sua exposição: UBS, Interactive Brokers, BitGo e Nasdaq anunciaram novos passos envolvendo ativos digitais.
No balanço entre cenários otimistas e pessimistas, a 21Shares atribui 60% de probabilidade a uma retomada apoiada em clareza regulatória e melhora gradual da liquidez global. Já o cenário adverso, com 40% de chance, depende de atrasos regulatórios e condições financeiras mais restritivas. Para os analistas, o momento atual representa uma fase de consolidação, não de ruptura. O Bitcoin segue preservado como principal ativo institucional do setor. Enquanto isso, o mercado espera definições que possam liberar a próxima etapa de crescimento.
