Os 7 pontos que o Ethereum vai desenvolver em 2026

  • Ethereum prepara sete avanços centrais para 2026, focando em segurança, privacidade e redução da dependência de provedores centralizados.
  • Helios, ORAM/PIR e FOCIL formam a base de um ecossistema mais verificável, privado e resistente à censura.
  • Nós completos mais leves e recuperação social devem melhorar a experiência do usuário sem sacrificar autonomia.

O Ethereum entrará em 2026 com um plano ambicioso para resgatar princípios que marcaram seu início. Depois de uma década de concessões feitas em nome da conveniência e da adoção em massa, a comunidade decidiu que, a partir deste ciclo, não aceitará mais trocar autonomia por praticidade, nem substituir descentralização por eficiência artificial. Esses sete pilares formam a base do novo roteiro técnico e filosófico da rede para os próximos anos.

Nos últimos anos, operar um nó completo se tornou impraticável para quase todos os usuários. O processo demanda centenas de gigabytes de armazenamento e longas horas de sincronização. Agora, a rede pretende inverter esse cenário. Em 2026, a meta é permitir novamente a execução de nós completos em máquinas comuns.

Além disso, a solução combina listas de acesso por bloco e provas de conhecimento zero, permitindo que o computador obtenha apenas os dados necessários e valide blocos sem reexecutar cada transação. Assim, rodar um nó volta a ser uma tarefa acessível, algo que reduz dependência de provedores centralizados.

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Ethereum

Outro ponto decisivo é o avanço do Helios, um cliente leve que promete transformar o modo como usuários verificam informações da blockchain. Hoje, cada saldo exibido na carteira depende da honestidade de serviços como Infura ou Alchemy. Com o Helios, a validação passa a ocorrer localmente, com base nas assinaturas do comitê de sincronização. A partir disso, carteiras deixam de confiar cegamente em terceiros e adotam um modelo em que o provedor pode até negar respostas, mas não consegue mentir sobre o estado da rede.

A privacidade também estará no centro das reformas. Consultas on-chain normalmente revelam hábitos, interesses e horários de uso. Em 2026, técnicas como ORAM e PIR serão integradas para esconder padrões de acesso e permitir pesquisas sem exposição de dados. Nesse modelo, a resposta chega criptografada e somente o usuário realiza a decodificação. Mesmo com pequenas latências, os ganhos de proteção são consideráveis e tornam consultas privadas um recurso viável.

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A segurança das carteiras passará por uma mudança igualmente profunda. Em vez de depender de uma única seed phrase, usuários poderão adotar modelos de recuperação social. Nesse sistema, guardiões escolhidos ajudam na restauração da conta, respeitando prazos de segurança. O processo elimina o risco de perda total por falha humana e reduz a chance de ataques diretos, tornando a gestão de fundos mais humana e menos frágil.

Planos do Ethereum para 2026

No campo das transações, a rede quer tornar pagamentos privados tão simples quanto transações públicas. A expectativa é que endereços furtivos, zkSNARKs e integração com abstração de contas permitam enviar valores com custos semelhantes aos atuais. Assim, privacidade deixa de ser um luxo técnico e passa a ser uma escolha ao alcance de qualquer usuário, com apenas um clique.

Assim, para sustentar esse sistema sem abrir espaço para censura, o Ethereum deverá adotar o FOCIL, mecanismo que obriga construtores de blocos a incluir determinadas transações. Com comitês aleatórios enviando listas de inclusão obrigatória, nenhum produtor poderá excluir operações legítimas sem enfrentar penalidades econômicas. Desse modo, isso consolida um ambiente onde nem mesmo grandes produtores podem censurar usuários.

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Por fim, o Ethereum quer mudar a forma como aplicativos descentralizados são hospedados. Hoje, acessar uma interface como a do Uniswap ainda depende de servidores tradicionais, sujeitos a falhas e ataques. Com a migração para IPFS e o uso de endereços baseados em conteúdo, aplicações ganharão resistência a interrupções e manipulações. A combinação com nomes ENS garante que usuários encontrem sempre a versão mais recente do aplicativo, preservando um ecossistema sem pontos únicos de falha.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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