Receita Federal do Brasil vai exigir mais informações dos investidores de criptomoedas a partir de julho

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  • Receita Federal lança DeCripto e amplia controle sobre criptoativos
  • Novo sistema exige dados detalhados de todas as operações
  • Brasil adota padrão global para troca de informações

A Receita Federal do Brasil anunciou uma mudança relevante na forma como investidores em criptomoedas deverão declarar suas operações. A partir de julho de 2026, entra em operação o sistema DeCripto, que amplia significativamente o nível de detalhamento exigido nas informações prestadas ao Fisco.

O novo modelo substitui a Instrução Normativa 1.888, em vigor desde 2019, que já obrigava a comunicação periódica de transações com ativos digitais. Agora, a Receita avança ao padronizar e aprofundar a coleta de dados, alinhando o Brasil a práticas internacionais.

Com isso, o órgão passa a exigir registros mais completos de operações envolvendo criptomoedas. O objetivo declarado é melhorar a compreensão do fluxo econômico desses ativos e reduzir inconsistências nas declarações.

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Novo sistema amplia detalhamento das operações para a Receita Federal

O DeCripto exigirá que investidores informem dados mais precisos sobre cada transação. Isso inclui data, hora, quantidade e tipo de ativo negociado, além de outras informações complementares.

De acordo com a Receita, as exigências também alcançam operações mais complexas. Transferências entre carteiras, envios para plataformas no exterior e movimentações sem intermediários precisarão ser reportadas de forma detalhada.

Além disso, o sistema passa a contemplar diferentes tipos de operação. Negociações entre criptomoedas, conversões para moeda fiduciária, pagamentos e simples transferências terão classificações específicas.

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Assim, a Receita entende que esse nível de detalhamento permite diferenciar o uso econômico dos ativos digitais. Isso inclui distinguir entre investimento, pagamento ou custódia.

Outro ponto relevante envolve a padronização internacional. O Brasil aderiu ao Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), um acordo que reúne mais de 60 países e estabelece regras para troca automática de informações.

Na prática, isso significa que operações realizadas em plataformas estrangeiras poderão ser compartilhadas entre autoridades fiscais, reduzindo lacunas de monitoramento.

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Mudança exige adaptação de empresas e investidores

Além disso, a implementação do DeCripto também traz impactos operacionais para exchanges e prestadores de serviço. Essas empresas precisarão ajustar seus sistemas para atender ao novo padrão de envio de dados.

A Receita afirma que a padronização tende a facilitar a integração com plataformas globais. Ainda assim, o processo exige investimentos técnicos e adaptação de processos internos.

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Do lado dos investidores, a mudança aumenta a responsabilidade na organização das informações. A omissão ou inconsistência de dados pode gerar alertas e eventuais fiscalizações.

Segundo o auditor fiscal Flavio Correa Prado, a nova estrutura representa uma das maiores transformações já realizadas no monitoramento de ativos digitais no país.

Apesar disso, o Fisco destaca que a medida não busca aumentar a carga tributária. O foco está na transparência, segurança jurídica e conformidade das declarações.

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Além disso, a Receita também reforça que os dados individuais continuarão protegidos por sigilo fiscal. As informações públicas serão divulgadas apenas de forma agregada e anonimizada.

Assim, o movimento ocorre em um contexto de intensificação da fiscalização. Em 2025, as autuações somaram R$ 233 bilhões, resultado de ações contra sonegação e irregularidades.

Para 2026, o órgão planeja ampliar o uso de alertas preventivos e incentivar a autorregularização. A estratégia combina orientação e fiscalização para reduzir riscos de descumprimento.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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