SharpLink tem prejuízo de US$ 686 mi e cria fundo com Galaxy

  • SharpLink registra prejuízo líquido de US$ 686 milhões no primeiro trimestre
  • US$ 507 milhões vieram de perdas não realizadas na tesouraria de ETH
  • Empresa cria fundo on-chain de US$ 125 milhões em parceria com Galaxy

A SharpLink Gaming (SBET), maior detentora corporativa de Ethereum listada em bolsa, divulgou prejuízo líquido de quase US$ 686 milhões no primeiro trimestre. O número expõe o custo de manter uma estratégia agressiva de tesouraria atrelada a um ativo volátil — e contrasta com o resultado do mesmo período do ano anterior, quando a perda foi inferior a US$ 1 milhão.

Do total, US$ 507 milhões correspondem a perdas não realizadas com a marcação a mercado das reservas em ETH. A companhia mantém cerca de 872.984 ETH, equivalentes a aproximadamente US$ 2,1 bilhões aos preços atuais. A receita do trimestre, por outro lado, saltou de menos de US$ 1 milhão para mais de US$ 12 milhões, impulsionada pelos rendimentos de staking.

Fundo on-chain com a Galaxy

Junto ao balanço, a SharpLink anunciou a criação de um fundo de rendimento on-chain de US$ 125 milhões em parceria com a Galaxy Digital. A SharpLink entra com US$ 100 milhões em ETH já em staking; a Galaxy aporta os US$ 25 milhões restantes e assume a gestão operacional — seleção de protocolos, dimensionamento de exposição e monitoramento contínuo.

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A tese declarada é capturar rendimentos em mercados financeiros baseados em blockchain por meio de alocações em “aplicações promissoras”, segundo comunicado da empresa. Para Mike Novogratz, fundador e CEO da Galaxy, a infraestrutura on-chain amadureceu a ponto de oferecer aos alocadores institucionais o mesmo rigor de gestão de risco encontrado nos mercados tradicionais.

O movimento se encaixa no discurso do CEO Joseph Chalom, que descreveu o trimestre como uma transição: a SharpLink internalizou parte de sua plataforma de gestão de ativos e foi além do staking básico, explorando oportunidades mais sofisticadas em DeFi. A leitura editorial é direta — diante de perdas contábeis pesadas, a empresa precisa demonstrar que consegue extrair retorno ativo do balanço, não apenas observar o ETH oscilar.

Reação do mercado e contexto

As ações da SBET subiram cerca de 2% após os anúncios, negociadas perto de US$ 7,59. No último mês, o papel acumula alta de 16%, mas ainda amarga queda de 34% no semestre. A GLXY avança 2,3% na sessão, a US$ 30,92, com valorização mensal de 43%. Já o Ethereum recua 0,5% nas últimas 24 horas e opera próximo de US$ 2.329 — patamar bem abaixo da máxima histórica.

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O caso da SharpLink dialoga com o de outras tesourarias corporativas que abraçaram cripto e enfrentam a contabilidade volátil que vem junto. A Trump Media registrou prejuízo de US$ 406 milhões com perdas em BTC e CRO no mesmo trimestre, sinal de que o modelo “empresa-tesouraria” ainda paga caro em ciclos de correção. A diferença é que a SharpLink dobra a aposta ao migrar de uma postura passiva para alocação ativa em DeFi.

Impacto no investidor brasileiro

Para o investidor brasileiro, há duas leituras práticas. A primeira: empresas listadas que funcionam como proxy de ETH — acessíveis via BDRs ou corretoras com conta internacional — carregam volatilidade ainda maior que o ativo subjacente, porque somam o risco operacional ao risco de preço. Quem buscou SBET como atalho para exposição ao Ethereum recebeu, no semestre, queda mais profunda do que a do próprio token.

A segunda leitura é estrutural. A pressão sobre o ETH não vem apenas das tesourarias com mark-to-market negativo. Dados mostram que o saldo de Ethereum na Binance segue elevado, e a relação ETH/BTC já caiu 35% em 12 meses, com analistas apontando risco de novo tombo em 2026. Nesse cenário, a aposta da SharpLink em rendimento on-chain busca exatamente o que o preço deixou de entregar: retorno consistente independente da direção do mercado spot.

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Resta saber se a Galaxy entregará a disciplina de risco prometida. Em DeFi, rendimentos elevados costumam vir acompanhados de exposição a smart contracts, riscos de oracle e liquidez fragmentada — variáveis que tesourarias tradicionais raramente precisaram precificar.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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