- Reservas de ETH na Binance atingem 3,62 milhões, ou 24,6% do total em exchanges
- Depósito de 216 mil ETH em 6 de maio movimentou US$ 511 milhões na corretora
- Baleias na Bitfinex aumentam shorts e miram liquidez entre US$ 2.180 e US$ 2.260
O segundo trimestre tem sido positivo para o mercado cripto, mas o Ethereum entrega um desempenho aquém do esperado quando comparado ao Bitcoin. A alta acumulada de 10,48% no 2º tri parece sólida na superfície. Os números desagregados revelam outra história.
Em abril, o ETH avançou apenas 7,3%, retorno cerca de 1,7 vez inferior ao do Bitcoin no mesmo período. Maio repete o roteiro: os ganhos do Ethereum até agora correspondem à metade do que o BTC entregou. A diferença levanta dúvidas sobre a capacidade da segunda maior criptomoeda de superar o ativo dominante neste ciclo.
Assim, o pano de fundo desse desempenho fraco está no fluxo on-chain. Dados da CryptoQuant mostram que o início de maio concentrou múltiplos picos horários de depósitos de ETH na Binance, a maior corretora do mundo em volume.
Depósitos bilionários na Binance
Três movimentações chamam atenção desde março. No dia 6 de maio, 216.152 ETH entraram na Binance, o equivalente a US$ 511 milhões. Em 8 de maio, foram outros 98.552 ETH (US$ 224 milhões). No dia seguinte, mais 125.146 ETH cruzaram a corretora — US$ 288 milhões adicionais.
Assim, o efeito acumulado é visível no balanço da exchange. As reservas de Ethereum na Binance subiram para 3,62 milhões de ETH, fatia equivalente a 24,6% de todo o estoque mantido em corretoras centralizadas globalmente. A concentração transforma a plataforma em termômetro privilegiado da pressão vendedora.
Casos individuais reforçam o padrão. A Lookonchain reportou que uma baleia depositou outros 108.169 ETH na corretora. Além disso, dados da Arkham apontam transferência separada de cerca de US$ 180 milhões em ETH para a mesma plataforma — episódio que o BitNotícias detalhou em alerta sobre a baleia Hyperunit. O comportamento sugere distribuição contínua de grandes detentores.
Shorts na Bitfinex e zonas de liquidação
Assim, o posicionamento de baleias na Bitfinex dá outra camada à leitura. A exposição vendida em ETH na corretora disparou nas últimas semanas. Não parece movimento aleatório. A configuração sugere estratégia para capturar longs atrasados e lucrar com varredura de liquidez.
O mapa de liquidações da CoinGlass desenha duas zonas relevantes. Para cima, há um cluster entre US$ 2.400 e US$ 2.500. Para baixo, outro entre US$ 2.180 e US$ 2.260. Com a oferta inflando nas exchanges e o lado comprador relativamente fraco, a balança técnica pende para o cenário baixista.
Contexto para o investidor brasileiro
Para quem opera nas exchanges brasileiras, o sinal é direto. ETH é o segundo ativo mais negociado em plataformas como Mercado Bitcoin e Binance Brasil, e tende a amplificar movimentos do mercado global em reais por causa do dólar. Assim, uma varredura na zona de US$ 2.180 levaria o ativo a romper suportes psicológicos importantes na cotação em BRL.
Além disso, vale comparar o cenário atual ao comportamento do Bitcoin. As reservas de BTC em corretoras caíram 100 mil unidades em 90 dias, indicando acumulação. No Ethereum ocorre o oposto: oferta líquida em alta nas exchanges. A divergência ajuda a explicar por que o ETH/BTC perde terreno.
Projeções otimistas seguem na mesa. Tom Lee projeta Ethereum a US$ 22 mil em horizonte mais longo. No curto prazo, porém, os fluxos para a Binance contam outra narrativa. Enquanto a métrica não inverter, traders devem tratar consolidações entre US$ 2.300 e US$ 2.400 como possíveis armadilhas de alta, e não como base sólida para retomada.
Assim, o mercado de derivativos reforça a cautela. A funding rate negativa observada em outros momentos do ciclo mostrou como posicionamentos extremos podem virar rapidamente. No ETH, o quadro hoje é o inverso: shorts crescentes alinhados com pressão de oferta, combinação que historicamente antecede movimentos direcionais — não necessariamente para cima.
