Sistema Swift lança sua blockchain que pode ‘destruir’ stablecoins

Trump acusa bancos de travar Clarity Act em disputa sobre rendimento de stablecoins
  • Swift avança com blockchain própria para pagamentos globais que pode afetar stablecoins
  • Depósitos tokenizados desafiam modelo das stablecoins
  • Bancos ganham alternativa eficiente dentro do sistema tradicional

O sistema financeiro global entrou em uma nova fase com o avanço da Swift no desenvolvimento de sua própria infraestrutura baseada em blockchain. A organização concluiu a fase de design de um livro-razão compartilhado e já iniciou a construção de sua primeira versão funcional.

A proposta mira um objetivo claro: permitir pagamentos internacionais em tempo real, 24 horas por dia, utilizando depósitos bancários tokenizados. Esse movimento coloca a Swift no centro da transformação digital do dinheiro e levanta questionamentos sobre o espaço das stablecoins nesse novo cenário.

De acordo com a própria instituição, o modelo busca resolver um dos principais gargalos do sistema atual: a lentidão e a fragmentação das transferências internacionais. A nova arquitetura pretende conectar bancos em uma camada digital comum, mantendo padrões já existentes e ampliando a eficiência.

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A expectativa é que a versão inicial, chamada de MVP, entre em operação ainda este ano com transações reais. O projeto envolve uma rede global de bancos que colaboraram no desenho da estrutura desde 2025 .

Nova infraestrutura pode redefinir o papel do dinheiro digital

O sistema desenvolvido pela Swift introduz um ledger compartilhado que registra e valida compromissos de pagamento entre instituições. Diferente das stablecoins, que operam como ativos paralelos, o modelo utiliza depósitos bancários tokenizados como representação direta de valor.

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Na prática, isso significa que o dinheiro continua dentro do sistema bancário tradicional, mas ganha características de liquidação instantânea. O modelo combina tecnologia de blockchain com a infraestrutura já consolidada da Swift, presente em mais de 200 países.

Assim, a base tecnológica utiliza uma arquitetura compatível com Ethereum Virtual Machine (EVM), construída sobre o Hyperledger Besu. Essa escolha permite integração com o ecossistema de ativos digitais sem abrir mão do controle institucional .

Além disso, a Swift manterá o papel de orquestradora das transações, enquanto os bancos continuam responsáveis pelos ativos, liquidez e custódia. Isso reduz a necessidade de novos intermediários e preserva a governança tradicional do sistema financeiro.

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O impacto potencial desse modelo é significativo. Ao oferecer pagamentos globais instantâneos com dinheiro bancário tokenizado, a Swift pode reduzir a principal proposta de valor das stablecoins: a eficiência em transferências internacionais.

Pressão sobre stablecoins cresce com avanço institucional

Stablecoins ganharam relevância justamente por resolverem limitações do sistema tradicional, especialmente velocidade e custo. No entanto, a iniciativa da Swift aponta para uma resposta direta dessas instituições ao avanço das criptomoedas.

Ao integrar liquidação em tempo real, transparência e previsibilidade de custos, a nova rede pode atrair bancos e empresas que hoje utilizam stablecoins como alternativa. A promessa inclui entrega integral do valor, visibilidade ponta a ponta e maior previsibilidade operacional.

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Outro ponto relevante é a escala. A Swift já conecta mais de 11.500 instituições financeiras e opera cerca de 40 mil rotas de pagamento ativas. Essa base oferece uma vantagem significativa na adoção de qualquer nova tecnologia .

Além disso, o modelo não cria uma nova moeda, mas adapta o dinheiro existente. Isso reduz barreiras regulatórias e facilita a integração com sistemas financeiros tradicionais, algo que ainda desafia muitas stablecoins.

Desse modo, o projeto também abre espaço para novos casos de uso. Entre eles, pagamentos corporativos programáveis, operações cambiais com liquidação simultânea e movimentação de caixa em transações de valores mobiliários.

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Assim, apesar do potencial, o avanço não elimina completamente o papel das stablecoins. Esses ativos ainda oferecem vantagens em ambientes descentralizados e fora do sistema bancário tradicional.

Ainda assim, a movimentação da Swift sinaliza uma mudança importante. O sistema financeiro tradicional passa a adotar ferramentas que antes eram exclusivas do universo cripto.

Com isso, a disputa deixa de ser apenas tecnológica e passa a envolver escala, regulação e confiança institucional. Nesse novo cenário, a vantagem competitiva pode migrar rapidamente para quem conseguir unir eficiência digital com infraestrutura global consolidada.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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