- Adecoagro inicia em 1º de julho mineração de Bitcoin movida a bagaço de cana
- Projeto piloto terá 10 MW de potência e 1.280 máquinas em Mato Grosso do Sul
- Tether assumiu o controle da Adecoagro após oferta de US$ 600 milhões em 2025
A Adecoagro, gigante agrícola controlada pela Tether, marcou para 1º de julho o início de uma operação inédita no Brasil, uma fazenda de mineração de Bitcoin abastecida com energia gerada a partir da cana-de-açúcar. O projeto será instalado em Mato Grosso do Sul e funcionará como piloto para validar a integração entre o agronegócio e a infraestrutura de data centers da emissora do USDT.
O anúncio foi feito por Matheus Lechuga, gerente de projeto da Adecoagro, durante a agenda “Roots of the Future”. Segundo ele, a estrutura terá 10 MW de capacidade e operará 1.280 máquinas de mineração. “O objetivo é alcançar eficiência energética”, afirmou o executivo, ao destacar que a iniciativa também serve como vitrine para futuras aplicações tecnológicas no portfólio da companhia.
Bagaço de cana vira combustível de mineração
O insumo central da operação é o bagaço, resíduo fibroso que sobra do processamento da cana e funciona como biocombustível em usinas. A queima desse subproduto libera menos dióxido de carbono do que a quantidade absorvida pela planta durante o crescimento, o que torna o ciclo, no mínimo, neutro em emissões e potencialmente negativo, dependendo do manejo agrícola.
Esse atributo importa porque coloca a operação brasileira em rota distinta da mineração baseada em gás natural ou carvão, modelo predominante em estados americanos como Texas e Kentucky. Para a Tether, operar no Brasil com energia renovável fortalece sua agenda ESG diante de pressões regulatórias.
Tether paga US$ 600 milhões para controlar Adecoagro
A integração entre as duas empresas começou em julho de 2025, quando ambas assinaram memorando de entendimento para explorar oportunidades conjuntas em mineração. Depois, a Tether investiu US$ 600 milhões e assumiu o controle da Adecoagro na América Latina.
A movimentação faz parte da estratégia da Tether de diversificar receita para além das reservas que lastreiam o USDT. A empresa de Paolo Ardoino combina mineração de Bitcoin, geração de energia própria, infraestrutura de hash rate e exposição a açúcar, etanol e eletricidade. Detalhes da aquisição foram publicados em comunicado oficial da Adecoagro.
Piloto de Mato Grosso do Sul mira mineração com margem no Brasil
Para o investidor brasileiro, o projeto adiciona uma camada nova ao mapa de mineração doméstica. Até hoje, tarifas industriais elevadas e incertezas regulatórias impediram o Brasil de integrar os principais hubs globais. Usinas podem direcionar bioeletricidade excedente para mineração, reduzindo custos de transmissão e riscos regulatórios associados.
O contexto chega num momento em que a margem de lucro dos mineradores está pressionada. Com o Bitcoin cotado a US$ 62.570 (R$ 321 mil), análises recentes do mercado indicam que o custo médio de produção se aproxima do piso de US$ 60 mil, encurtando o espaço para operadores com energia cara. A Bernstein, por sua vez, vem apontando que mineradoras estão se reposicionando como fornecedoras de energia para data centers de IA, modelo que a Adecoagro pode replicar futuramente caso o piloto valide a integração agro-digital.
Adecoagro busca validar modelo antes de ampliar hash rate
Os 10 MW iniciais são modestos diante de fazendas norte-americanas que ultrapassam 500 MW, mas funcionam como teste de conceito. Se a operação se mostrar economicamente viável, a base instalada de usinas da Adecoagro permite escalar a mineração sem necessidade de novos investimentos em geração. A janela para essa decisão coincide com a fase em que a Tether intensifica seu posicionamento em ativos físicos, incluindo ouro, terras agrícolas e energia.
