Tether vira ‘dona’ dos EUA e vai se tornar a 7ª maior compradora do mundo de Títulos do Tesouro americano

Tether troca títulos dos EUA por ouro e Bitcoin e desafia a crise — movimento genial ou exposição perigosa?
  • Tether deve se tornar a 7ª maior compradora estrangeira de Treasuries em 2025, superando países como Coreia do Sul e Arábia Saudita.
  • Governo dos EUA vê stablecoins como aliadas para fortalecer o dólar e absorver parte da dívida americana.
  • Setor bancário e mercado cripto travam disputa sobre regras de stablecoins, com posições opostas de Jamie Dimon e Brian Armstrong.

A Tether está avançando rápido e, agora, caminha para se tornar a sétima maior compradora estrangeira de Títulos do Tesouro dos EUA, segundo projeções da Foresight News com base em dados do Financial Times. A empresa deverá atingir US$ 28,2 bilhões em compras líquidas em 2025. Este é um volume que coloca a emissora do USDT em um patamar antes ocupado apenas por grandes economias nacionais. Assim, suas reservas, somadas às da Circle, superarão países como Coreia do Sul e Arábia Saudita. Isso reforça o impacto crescente das stablecoins na política financeira global.

Esse movimento ocorre porque a Tether continua ampliando sua base de reservas para acompanhar a forte demanda do USDT em mercados globais. Dessa forma, cada unidade da stablecoin precisa de lastro em ativos considerados seguros. Os títulos americanos permanecem como o principal destino. E, enquanto isso, vários países reduzem sua exposição aos Treasuries. Isso cria espaço para que empresas privadas ocupem essas posições.

Além disso, a leitura em Washington sobre esse fenômeno começa a mudar. O novo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que as stablecoins fortalecem o dólar e ainda ajudam a absorver parte da dívida americana. Bessent também disse esperar que o setor cresça dos atuais US$ 300 bilhões para US$ 3 trilhões, o que ampliaria ainda mais o papel de emissores como Tether e Circle dentro do sistema financeiro global.

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Tether e títulos do tesouro

Assim, o governo dos EUA passa a enxergar as stablecoins como aliadas, especialmente em um momento em que o país enfrenta desafios fiscais e aumenta sua emissão de dívida. Desse modo, empresas que antes eram vistas apenas como infraestrutura do mercado cripto ganham relevância geopolítica e econômica.

No entanto, esse avanço ocorre em meio a uma disputa intensa entre o setor bancário e a indústria de criptomoedas. O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, critica regras mais flexíveis para emissões de stablecoins. Para ele, permitir que emissores privados ofereçam juros sobre esses ativos criaria um risco para os depósitos bancários, pois muitos clientes migrariam seus recursos para moedas digitais lastreadas.

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Enquanto isso, Brian Armstrong, CEO da Coinbase, defende o modelo atual e afirma que as stablecoins ampliam a competitividade financeira dos EUA, fortalecendo a inovação doméstica. Essa discordância expõe um conflito direto entre instituições tradicionais e empresas do setor cripto. Esses grupos disputam espaço em um mercado trilionário em formação.

A pressão aumenta porque o debate envolve também aliados políticos do ex-presidente Donald Trump, que receberam apoio financeiro tanto de bancos de Wall Street quanto de figuras influentes da indústria cripto. Portanto, a discussão sobre stablecoins deixou de ser técnica e passou a ser estratégica. Isso afeta decisões sobre supervisão, juros e segurança do sistema financeiro.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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