Tokenização pode liberar acesso a trilhões, revela BlackRock

Mesmo com Bitcoin em baixa, fundo IBIT da BlackRock atinge volume de US$ 10 bilhões
  • Tokenização promete ampliar acesso a investimentos antes restritos
  • BlackRock defende integração entre ativos tradicionais e digitais
  • Debate cresce sobre real democratização ou benefício institucional

A tokenização de ativos voltou ao centro do debate global após novas declarações do CEO da BlackRock, Larry Fink. Em carta recente a investidores, o executivo afirmou que a tecnologia pode abrir o acesso a investimentos historicamente restritos, ampliando a participação no crescimento econômico.

Fink sustenta seu argumento em um diagnóstico claro de desigualdade. Segundo ele, desde 1989, um dólar investido no mercado acionário dos Estados Unidos cresceu mais de 15 vezes em relação ao salário médio. Diante desse cenário, ele defende que a tokenização pode reduzir essa distância, permitindo que mais pessoas participem do sistema financeiro.

Na prática, o executivo descreve um modelo em que uma única carteira digital regulada concentra diferentes tipos de ativos. Assim, o investidor poderia manter, no mesmo ambiente, ETFs, moedas digitais, títulos tokenizados e frações de investimentos antes inacessíveis, como infraestrutura e crédito privado.

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Infraestrutura financeira passa por transformação

Fink não trata a tokenização como tendência isolada. Ele a posiciona como uma evolução estrutural da infraestrutura financeira global. Em janeiro de 2026, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, ele já havia defendido o uso de uma blockchain comum para reduzir custos e fricções.

Agora, a carta reforça esse posicionamento. O executivo afirma que a tokenização representa uma atualização da “plomeria” do sistema financeiro. Na prática, isso significa tornar os ativos mais fáceis de emitir, negociar e acessar, com liquidez potencialmente ampliada.

Além disso, Fink destaca um fator que pode acelerar a adoção. Segundo ele, cerca de metade da população mundial já utiliza carteiras digitais em smartphones. Dessa forma, surge a possibilidade de integrar investimentos ao cotidiano, permitindo aplicações financeiras com a mesma simplicidade de um pagamento.

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Condições e limites para a expansão

Apesar do otimismo, o CEO da BlackRock estabelece condições claras para o avanço da tokenização. Ele afirma que o modelo depende de proteções ao investidor, padrões robustos de risco e verificação de identidade digital. Sem esses elementos, a confiança no sistema pode ser comprometida.

No campo regulatório, Fink não propõe uma ruptura total. Pelo contrário, ele defende a adaptação das regras existentes para permitir a convivência entre mercados tradicionais e digitais. Segundo ele, esse processo funciona como a construção de uma ponte entre instituições financeiras e empresas de tecnologia.

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A própria BlackRock já atua nesse movimento. Em setembro de 2025, a gestora anunciou planos para tokenizar ETFs e ativos tradicionais, incluindo ações e títulos. Produtos como o ETF de Bitcoin IBIT, que já reúne centenas de milhares de unidades sob gestão, fazem parte dessa estratégia de expansão.

Ainda assim, o consenso está longe de ser alcançado. Parte do mercado questiona se a tokenização realmente democratiza o acesso ou apenas digitaliza estruturas já concentradas. Críticos apontam que, sem mudanças profundas, o modelo pode continuar favorecendo grandes instituições.

Novo momento do mercado

Vasily Shilov, CBDO da SwapSpace, avalia que o mercado vive um momento decisivo de posicionamento, com a tokenização deixando de ser uma promessa para se tornar uma realidade em rápida expansão. Segundo ele, a liderança do Ethereum nesse segmento já se consolida, concentrando cerca de 65% do valor total de ativos tokenizados on-chain, enquanto grandes instituições como BlackRock, Franklin Templeton e JPMorgan avançam com produtos próprios.

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“Estamos em um momento de posicionamento. O Ethereum detém 65% de todo o valor de ativos tokenizados on-chain. BlackRock, Franklin Templeton e JPMorgan já lançaram produtos. Isso está acontecendo agora, não em algum momento no futuro.”

Na visão do executivo, o movimento atual não representa um novo ciclo especulativo típico do mercado cripto, mas sim uma convergência estrutural entre o sistema financeiro tradicional e o universo digital. Ele destaca que os usuários passam a ter acesso mais simples a instrumentos já conhecidos, enquanto as instituições reduzem custos operacionais e aceleram liquidações. Como resultado, cresce a demanda por infraestrutura, incluindo blockchains e plataformas agregadoras.

Tendência

Shilov também aponta que as projeções reforçam essa tendência. Estimativas da McKinsey indicam que o mercado de ativos tokenizados pode atingir US$ 2 trilhões até 2030, sugerindo um avanço consistente e sustentado ao longo dos próximos anos. Ainda assim, ele pondera que o cenário não deve ser dominado por um único player ou produto específico.

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“A analogia com a BlackRock — um player, um produto, um momento — funciona até certo ponto. O que está acontecendo agora se parece mais com uma onda: dezenas de instituições, centenas de classes de ativos e instrumentos tradicionais migrando gradualmente para o on-chain.”

Por fim, o executivo argumenta que a disputa não será vencida necessariamente por quem chegou primeiro, mas por quem conseguir atuar como elo entre diferentes mundos. Para ele, os protagonistas desse novo ciclo serão aqueles capazes de conectar mercados tradicionais e DeFi, equilibrando as demandas institucionais com as expectativas dos usuários.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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