- BTG Pactual encerrará a stablecoin BTG Dol em 1º de julho e converterá automaticamente os saldos para USDC.
- Banco afirma que a decisão acompanha a consolidação do mercado e a adoção crescente de padrões globais.
- Clientes poderão vender os tokens até 30 de junho ou manter os ativos para conversão sem corretagem.
O movimento de consolidação que vem redesenhando o mercado de ativos digitais ganhou mais um capítulo. O BTG Pactual anunciou o encerramento das operações da BTG Dol (BTGDOL), stablecoin atrelada ao dólar lançada pelo banco nos primeiros anos da expansão desse segmento no Brasil. Além disso, a instituição informou que deixará de oferecer o ativo a partir de 1º de julho de 2026. Ela converterá automaticamente todos os saldos remanescentes para USD Coin (USDC), uma das maiores stablecoins do mercado global.
A decisão ocorre em um momento de transformação acelerada do setor de criptoativos. Nos últimos meses, empresas do segmento revisaram estratégias, encerraram produtos e passaram a concentrar esforços em plataformas e ativos que já alcançaram escala internacional. Além disso, o movimento também coincide com o avanço da regulamentação dos ativos virtuais no Brasil. Isso ocorre junto com o aumento da participação de investidores institucionais no mercado.
Em comunicado enviado ao Cointelegraph Brasil nesta terça-feira (9), o BTG afirmou que a descontinuação da BTGDOL integra a “evolução natural do portfólio de criptoativos” da instituição. Segundo o banco, a maturidade alcançada pelo setor favoreceu a consolidação de padrões globais. Isso também elevou a relevância de stablecoins com ampla liquidez e integração internacional.
Fim da stablecoin do BTG
A BTGDOL figurou entre os primeiros projetos de stablecoins lançados por uma instituição financeira brasileira. Quando apresentou o produto ao mercado, o BTG buscou oferecer aos clientes uma alternativa digital para exposição ao dólar dentro do ecossistema blockchain. A proposta combinava a infraestrutura e a reputação de um banco tradicional. Além disso, trazia as vantagens operacionais dos ativos tokenizados.
Desde então, porém, o mercado passou por mudanças profundas. Stablecoins emitidas por grandes operadores globais ampliaram participação. Essas moedas conquistaram integração com corretoras internacionais. Dessa forma, se tornaram peças centrais em aplicações de finanças descentralizadas (DeFi), em pagamentos internacionais e em estratégias de tesouraria corporativa.
No comunicado, o BTG destacou que o USDC passou a ocupar posição de destaque nesse cenário por reunir liquidez elevada, ampla aceitação em exchanges, integração com protocolos descentralizados e manutenção da paridade de um para um com o dólar americano. Além disso, a instituição entende que a concentração de esforços em um ativo já consolidado globalmente pode oferecer maior eficiência operacional aos clientes.
O cronograma de encerramento prevê o bloqueio de novas compras de BTGDOL a partir de 24 de junho. Investidores que mantiverem posições poderão vender os tokens até 30 de junho ou permanecer com os ativos em carteira até a data da conversão automática.
Em 1º de julho, o banco converterá os saldos remanescentes para USDC sem cobrança de corretagem, respeitando a equivalência de um BTGDOL para um USDC. A medida busca garantir uma transição direta para os clientes sem necessidade de movimentações adicionais.
Assim, o BTG também alertou que operações de venda, liquidação ou conversão podem gerar impactos tributários. Investidores que ultrapassarem R$ 35 mil em alienações mensais de criptoativos continuam sujeitos às regras da Receita Federal para apuração de eventual ganho de capital e recolhimento de imposto.
