- Vermilion Cliffs Ventures fecha Fund II de US$ 25 milhões em quatro meses
- Cheques entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão vão financiar ao menos 25 startups
- Tese foca em infraestrutura de IA, cibersegurança e ferramentas para devs
A gestora Vermilion Cliffs Ventures, comandada pela investidora solo Ashley Smith, anunciou nesta quarta-feira o encerramento do seu segundo fundo, com US$ 25 milhões (cerca de R$ 128,9 milhões pela cotação atual do dólar) captados para apostar em startups de vermilion cliffs em estágio inicial. O foco declarado está em infraestrutura de inteligência artificial, cibersegurança e ferramentas para desenvolvedores.
Fundada em 2023, a firma é uma das poucas do Vale do Silício tocada por uma única sócia mulher o chamado modelo solo GP. Smith afirmou ao TechCrunch, em entrevista publicada nesta quarta, que a captação do Fund II levou cerca de quatro meses e teve forte adesão dos investidores que já haviam entrado no primeiro veículo da casa.
Tese mira três verticais técnicos
O tamanho médio dos cheques do novo fundo vai variar entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão, segundo Smith. A meta é apoiar ao menos 25 empresas nos próximos dois anos e meio. Seis delas já foram assinadas, embora os nomes não tenham sido revelados.
O fundo anterior, de US$ 13 milhões, colocou dinheiro em 35 startups. Entre elas estão a companhia de cibersegurança Keycard e a CopilotKit, que atua em infraestrutura para agentes de IA. Smith aposta em fundadores técnicos no pré-seed e seed, antes da tração comercial e da estratégia de mercado.
Smith construiu carreira em marketing dentro de empresas como Twilio, Facebook, GitHub e GitLab. Essa bagagem, segundo ela, é o diferencial que oferece aos investidos.
“Vender para desenvolvedores e times de segurança é uma disciplina própria, e a maioria dos fundadores aprende do jeito caro, com o tempo”, disse.”Tento ajudar a pular erros que eu mesma cometi ou vi outros fundadores cometerem.”
Onda de capital em IA e segurança
O anúncio chega em um momento de reorganização do capital de risco em torno de dois vetores, modelos de IA aplicados e defesa cibernética. Fundos generalistas concentraram bilhões em OpenAI, Anthropic e Perplexity, estágio inicial voltou às boutiques de operadores-investidores como Smith.
Cibersegurança segue como setor cobiçado depois de uma onda de exploits em larga escala em 2026, ano em que hacks a protocolos e provedores de infraestrutura bateram recorde histórico. Ataques exploraram falhas em dev tools e engenharia social, nichos técnicos onde Vermilion Cliffs quer posicionar seu portfólio.
Cripto entra pela porta da infraestrutura
Para o investidor brasileiro acostumado ao ciclo cripto, o movimento tem leitura direta: a linha entre infraestrutura de IA e infraestrutura Web3 ficou tênue. Mineradoras norte-americanas migraram parte da capacidade computacional para rodar modelos de linguagem, e provedores de segurança criptográfica passaram a atender também clientes de agentes autônomos.
Empresas como CopilotKit, no portfólio anterior de Smith, operam nessa fronteira. Fundadores brasileiros de dev tools ou segurança on-chain captam nos EUA com fundos pequenos, técnicos e decisões rápidas.
O apetite recente do capital americano por essa combinação também influencia o preço de tokens ligados a computação descentralizada e a infraestrutura para agentes de IA. A queda desta terça-feira, com o Bitcoin em US$ 61.633 e o Ethereum em US$ 1.720, tira liquidez do curto prazo, mas não afeta o horizonte de dois a três anos com que gestoras como a Vermilion trabalham.
Fund II começa a desembolsar em 2026
A Vermilion Cliffs já iniciou as chamadas de capital e deve manter o ritmo de cerca de dez novas posições por ano até esgotar o veículo. Smith indicou que não pretende ampliar o time o modelo solo GP seguirá inalterado no Fund II, com decisões de investimento centralizadas nela e apoio pontual de scouts externos para due diligence técnica em cibersegurança.
