- Volume médio diário de futuros de criptomoedas da CME cresceu 619% desde 2023.
- Negociação alcançou 259 mil contratos diários no acumulado de 2026.
- CME aposta em tokenização, mas ainda não vê demanda por futuros perpétuos.
O volume médio diário dos contratos futuros de criptomoedas do CME Group, cresceu aproximadamente 619% entre 2023 e o acumulado de 2026. Segundo dados fornecidos pela empresa ao Bitnotícias, a média saltou de 36 mil para 259 mil contratos por dia no período.
O resultado significa que a negociação diária alcançou um patamar 7,19 vezes superior ao registrado em 2023. Para o CME, o avanço acompanha a entrada de mais participantes interessados em administrar riscos e buscar oportunidades no mercado de ativos digitais.
“O mercado continua evoluindo à medida que mais instituições gerenciam riscos e exploram oportunidades no setor de criptoativos”, afirmou um porta-voz do CME Group em entrevista exclusiva ao Bitnotícias.
De acordo com a empresa, a ampliação dos horários de negociação acompanha esse crescimento. Desde 29 de maio, o grupo oferece futuros e opções de criptomoedas durante 24 horas por dia, sete dias por semana.
No primeiro fim de semana da nova operação, os investidores negociaram mais de 7.200 contratos, equivalentes a aproximadamente US$ 50 milhões em valor nocional. A mudança aproximou a infraestrutura regulamentada do funcionamento contínuo das exchanges de criptomoedas.

Criptomoedas: CME não vê demanda por futuros perpétuos
Apesar do crescimento de 619% e da adoção da negociação contínua, o CME Group ainda não identificou demanda entre seus principais clientes por contratos futuros perpétuos.
Muito utilizados nas exchanges nativas do setor cripto, esses contratos não possuem uma data definida de vencimento. As plataformas aplicam mecanismos como taxas periódicas de financiamento para manter o preço do derivativo próximo ao mercado à vista.
“Não identificamos demanda de nossos clientes por contratos futuros perpétuos. No entanto, temos todas as capacidades técnicas e operacionais necessárias para lançá-los”, declarou o porta-voz.
A empresa já desenvolveu especificações contratuais e possui a infraestrutura necessária para oferecer o produto. O lançamento, contudo, dependeria de uma mudança na demanda dos clientes ou de transformações estruturais no mercado.
A posição acompanha declarações do presidente e CEO do CME Group, Terry Duffy. Durante a teleconferência de resultados de julho, o executivo afirmou que a empresa não considera os perpétuos substitutos diretos dos contratos utilizados por instituições para proteção de riscos.
O CME também evitou avaliar a concorrência com plataformas como a Hyperliquid, que oferecem negociação contínua, liquidação rápida e listagem mais ágil de ativos. A companhia não informou quais elementos desse modelo poderiam chegar às bolsas regulamentadas.
Tokenização pode acelerar margens e liquidações
Além da expansão dos derivativos de criptomoedas, o CME aposta na tokenização para modernizar sua infraestrutura de pós-negociação. A empresa avalia que a tecnologia poderá tornar mais eficientes a movimentação de garantias, o atendimento às chamadas de margem e a liquidação das operações.
“Acreditamos que os serviços tokenizados podem ajudar a modernizar a infraestrutura de pós-negociação e proporcionar maior eficiência aos participantes do mercado”, afirmou o porta-voz.
Entre os benefícios esperados, a companhia cita a gestão de garantias e a liquidação em tempo real, a otimização da liquidez e a criação de infraestrutura para mercados que funcionam durante 24 horas por dia.
O CME Group trabalha com o BMO e o Google Cloud em uma solução de dinheiro tokenizado para margens, garantias e liquidação. O projeto utiliza o Google Cloud Universal Ledger, uma rede privada e permissionada voltada ao mercado institucional.
- Leia também: Exchange brasileira Digitra vai parar de vender cripto no varejo e anuncia parceria com a Foxbit
A solução permitirá que clientes institucionais do BMO convertam dólares em um instrumento digital e utilizem os recursos em produtos com margem negociados no CME. Segundo a empresa, a estrutura poderá liberar capital que atualmente precisa aguardar os ciclos bancários tradicionais.
“Ao trabalharmos com o BMO e o Google Cloud para tokenizar dinheiro na CME Clearing, podemos permitir que as empresas cumpram requisitos de margem e obrigações de liquidação em tempo real”, explicou o porta-voz.
O comunicado mais recente do projeto prevê a oferta do instrumento a empresas reguladas no segundo semestre de 2026. A operação ainda depende de aprovação regulatória.
A companhia não respondeu diretamente se o instrumento funcionará como uma stablecoin. O projeto utiliza uma estrutura bancária e permissionada, enquanto o comunicado o apresenta como dinheiro tokenizado e prevê, em uma etapa mais ampla, depósitos tokenizados para pagamentos empresariais e movimentações de tesouraria.
O CME também não informou se considera aceitar stablecoins regulamentadas, ações tokenizadas, títulos públicos digitais ou cotas de fundos como garantia em sua câmara de compensação.
Blockchain não elimina câmaras de compensação
Embora a blockchain possa automatizar transferências e liquidações, o CME não acredita que a tecnologia reduzirá a importância das câmaras de compensação.
“As câmaras de compensação desempenham um papel essencial no mercado e continuarão a desempenhá-lo à medida que a inovação e a tecnologia avançarem”, declarou a empresa.
A resposta indica que o grupo enxerga a tokenização como uma evolução da infraestrutura financeira, e não como uma substituição completa das instituições responsáveis por garantias, liquidação e gestão de riscos.
No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários criou um grupo de trabalho para estudar o uso de redes distribuídas no registro, depósito, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários.
Questionado sobre possíveis produtos para o mercado brasileiro, o CME afirmou apenas que considera as exigências regulatórias de cada região antes de avaliar lançamentos. A empresa não revelou o volume movimentado por clientes brasileiros e latino-americanos nem confirmou planos para contratos denominados em moedas locais ou uma parceria com a B3.



