Banco Central veta cripto em pagamentos internacionais a partir de outubro

Banco Central veta cripto em pagamentos internacionais a partir de outubro
  • BC proíbe cripto em remessas internacionais a partir de 1º de outubro
  • Stablecoins dominam 40% das compras cripto na América Latina
  • Meta lança pagamentos em USDC para criadores na Colômbia

O Banco Central do Brasil fechou definitivamente as portas para o uso de Bitcoin e stablecoins em operações de pagamento internacional reguladas. A Resolução 561, publicada em 30 de abril, determina que instituições financeiras só poderão realizar transferências através de operações tradicionais de câmbio ou contas de não-residentes em reais.

A medida entra em vigor em 1º de outubro e atinge diretamente corretoras de câmbio, bancos e fintechs que operam no mercado regulado de remessas. O documento é explícito ao vedar “ativos virtuais” como opção para pagamentos transfronteiriços, embora reconheça sua existência ao criar uma categoria especial para identificação dessas transações.

A decisão contrasta com o movimento global de adoção institucional de criptoativos. Enquanto o Brasil endurece as regras, a Meta acaba de lançar um programa piloto para pagar criadores de conteúdo com USDC na Colômbia e nas Filipinas, usando as redes Solana e Polygon através de parceria com a Stripe.

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Stablecoins lideram mercado latino

Dados da Bitso, uma das maiores exchanges da América Latina, mostram que as stablecoins já representam 40% de todas as compras de cripto na região em 2025. O relatório analisou quase 10 milhões de clientes em Argentina, Brasil, Colômbia e México.

O USDC superou o Bitcoin em volume de compras: 23% contra 18%. O USDT ficou com 16% do mercado. Segundo a Bitso, investidores latino-americanos agora priorizam estabilidade financeira e liquidez em vez de estratégias especulativas de curto prazo.

A preferência regional por stablecoins se explica pela proteção contra desvalorizações das moedas locais. Na Argentina, onde a inflação anual supera 200%, o USDT virou reserva de valor padrão. No Brasil, mesmo com inflação controlada, investidores usam stablecoins para dolarizar parte do patrimônio sem burocracia bancária.

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Meta avança com cripto após fracasso da Libra

O lançamento de pagamentos em USDC pela Meta marca seu retorno ao universo cripto após o fracasso do projeto Libra/Diem entre 2019 e 2022. A resistência regulatória dos Estados Unidos e Europa forçou o abandono da iniciativa própria de criptomoeda da empresa.

Agora a Meta adota uma abordagem diferente, em vez de criar sua própria moeda digital, usa infraestrutura existente de stablecoins reguladas. Criadores qualificados podem conectar carteiras compatíveis e receber pagamentos diretamente em USDC através das redes blockchain.

A Stripe, que adquiriu a empresa de infraestrutura Bridge, fornece a tecnologia de backend. A Meta lançou chamada pública para parceiros em fevereiro de 2026, com a Stripe emergindo como escolha principal por oferecer sistema de baixo atrito para pagamentos internacionais.

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Impacto nas exchanges brasileiras

A proibição do BC cria um fosso regulatório entre o mercado cripto não regulado e o sistema financeiro tradicional. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Binance Brasil continuarão operando normalmente para compra e venda de criptoativos dentro do país.

O veto atinge especificamente instituições reguladas pelo BC que oferecem serviços de câmbio e remessa internacional. Bancos e corretoras autorizadas não poderão mais processar pagamentos usando Bitcoin ou stablecoins, mesmo que tecnicamente seja mais eficiente e barato que o sistema SWIFT tradicional.

Para investidores brasileiros, a resolução limita opções de envio legal de recursos ao exterior via cripto. Quem precisa fazer pagamentos internacionais terá que continuar usando o mercado tradicional de câmbio, com spreads maiores e prazos mais longos. A medida também dificulta a entrada de recursos externos via stablecoins, prática comum entre freelancers e empresas de tecnologia.

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O movimento do BC ocorre enquanto outros países da região flexibilizam regras. El Salvador mantém o Bitcoin como moeda de curso legal. Argentina permite pagamentos com cripto em contratos. O Uruguai estuda criar sandbox regulatório para testar casos de uso institucional de ativos digitais.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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