Banco Central veta uso de cripto em remessas internacionais

Banco Central veta uso de cripto em remessas internacionais
  • BC proíbe cripto em remessas a partir de 1° de outubro
  • Resolução 561 força uso exclusivo de fiat em câmbio
  • Stablecoins dominaram US$ 6,8 bilhões de US$ 6,9 bilhões no Q1

O Banco Central do Brasil publicou em 30 de abril a Resolução 561, que veta completamente o uso de criptomoedas em operações de câmbio e remessas internacionais. A medida entra em vigor em 1° de outubro e atinge diretamente empresas que utilizavam bitcoin e stablecoins para reduzir custos e acelerar transferências.

A norma determina que todas as transações de pagamento internacional devem ocorrer “exclusivamente através de operação de câmbio ou movimentação em conta de não-residente em reais mantida no Brasil, sendo vedada a utilização de ativos virtuais”. Na prática, instituições autorizadas terão que abandonar a eficiência das redes blockchain e retornar aos trilhos bancários tradicionais.

Golpe na eficiência operacional

Victor Alfa, economista e analista de criptomoedas, classificou a decisão como um “golpe severo” na inovação do setor. “As empresas serão forçadas a abandonar a eficiência on-chain e retornar às custosas estruturas do sistema bancário tradicional”, avaliou. O especialista destacou que, embora não derrube o sistema regulado, a resolução bloqueia as redes blockchain de se tornarem canais paralelos de transferência de valor.

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O movimento contrasta com dados divulgados pelo próprio BC sobre o primeiro trimestre. Das compras de US$ 6,9 bilhões em criptoativos registradas no período, impressionantes US$ 6,8 bilhões foram em stablecoins. Os números evidenciam a demanda massiva por essas moedas digitais lastreadas em dólar, justamente pela agilidade e menor custo em transações internacionais.

A justificativa oficial aponta para “maior segurança, transparência e alinhamento com padrões globais de prevenção a crimes financeiros”. O BC realizou consulta pública em 2025 antes de aprovar as restrições, limitando a prestação desses serviços apenas a organizações autorizadas pela instituição.

Impacto no mercado brasileiro

Para investidores e empresas brasileiras que já incorporaram cripto em suas operações internacionais, a mudança representa retrocesso operacional significativo. Remessas que hoje levam minutos via blockchain voltarão a depender de intermediários bancários, com prazos de dias úteis e taxas mais elevadas. O setor de pagamentos digitais perde uma ferramenta importante de competitividade.

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A resolução reconhece os “ativos virtuais” como categoria especial para identificação de transações, mas veta seu uso prático. Essa contradição revela a tensão regulatória: o BC admite a existência e relevância das criptomoedas, mas escolhe mantê-las fora do sistema oficial de câmbio. O objetivo declarado é garantir “total rastreabilidade e supervisão direta sobre fluxos de divisas no Brasil”.

Especialistas do setor apontam que a medida pode empurrar operações para o mercado paralelo, onde a supervisão é mais difícil. Empresas que dependiam da velocidade e economia das stablecoins para competir globalmente enfrentarão desvantagem operacional. Enquanto outros países avançam na integração de ativos digitais em seus sistemas financeiros, o Brasil opta pelo caminho oposto.

A decisão ocorre num momento em que bancos centrais ao redor do mundo estudam como regular, não proibir, o uso institucional de criptomoedas. A expansão global de programas de pagamento com stablecoins por gigantes como Visa contrasta com a abordagem restritiva brasileira. O mercado aguarda para ver se a proibição será efetiva ou apenas deslocará volume para canais não regulados.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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