- Dubai atinge 50 licenças VASP emitidas pela autoridade reguladora VARA
- Tribe Tokenisation FZE recebe autorização mais recente do regulador local
- Emirado supera Cingapura e Hong Kong no total de empresas licenciadas
A autoridade reguladora de ativos virtuais de Dubai, conhecida como VARA, entregou sua 50ª licença a um prestador de serviços cripto. O marco foi anunciado na última quinta-feira e teve como beneficiária a plataforma de tokenização Tribe Tokenisation FZE. O número consolida o emirado como o polo com mais empresas cripto autorizadas entre as jurisdições asiáticas que disputam esse mercado.
A licença VASP (virtual asset service provider) foi criada pela VARA quando a agência foi estruturada, em março de 2022. Desde então, o regulador construiu um regime próprio para o setor, separado do sistema financeiro tradicional. A estratégia contrasta com o modelo de Cingapura, que trata cripto dentro da regulação geral de pagamentos.
Tribe Tokenisation fecha lista de 50 VASPs
A Tribe Tokenisation FZE atua no segmento de ativos tokenizados, área que ganhou tração global com a entrada de gestoras como BlackRock e Franklin Templeton em fundos on-chain. A escolha de uma empresa desse nicho para marcar o número redondo reforça a aposta de Dubai em RWA (real-world assets) como diferencial competitivo.
Um porta-voz da VARA alertou, porém, que ter licença ativa não significa operação comercial plena. Empresas recém-autorizadas passam por um período controlado de operacionalização antes de aceitar clientes. No fim de 2025, apenas 39 das VASPs licenciadas estavam classificadas como totalmente operacionais. O número atualizado para 2026 ainda está em validação pelo regulador.
VARA passa à frente de MAS e SFC
A comparação com outros hubs regulados mostra a distância aberta por Dubai. A Autoridade Monetária de Cingapura (MAS) lista atualmente 37 instituições de pagamento com autorização para prestar serviços de tokens digitais. Já em Hong Kong, a Securities and Futures Commission (SFC) tem apenas 13 plataformas de negociação de ativos virtuais formalmente licenciadas.
Os totais não são idênticos em escopo. O regime de Hong Kong é mais estreito e cobre exclusivamente operadores de plataforma de trading. Cingapura embute cripto no arcabouço de pagamentos digitais. Ainda assim, o volume de VASPs em Dubai supera a soma das duas praças concorrentes um sinal de que o modelo baseado em atividade, defendido pela VARA, atrai empresas com mais rapidez.
O porta-voz do regulador afirmou que o crescimento também é sustentado pelo ecossistema financeiro dos Emirados Árabes Unidos e por métricas como volumes transacionados, ativos sob gestão e dados financeiros auditados. Esses indicadores, segundo a VARA, ajudam a mensurar a atividade real do setor, algo que a contagem bruta de licenças não revela.
Efeito para o investidor cripto que opera no Brasil
Para o mercado brasileiro, o avanço de Dubai importa por dois motivos concretos. Primeiro, várias exchanges globais que atendem clientes do Brasil incluindo Binance, Bybit e OKX mantêm subsidiárias no emirado e usam a licença VASP para estruturar produtos como derivativos e serviços de tokenização oferecidos a estrangeiros. Segundo, a rota emiratina virou referência para o debate regulatório local. O Banco Central do Brasil ainda finaliza a regulamentação da Lei 14.478/2022, e as consultas públicas recentes mencionam explicitamente modelos como o da VARA.
A trajetória de Dubai também dialoga com a experiência europeia. Em junho, o regime MiCA encerrou o período de transição com 244 empresas autorizadas no bloco. Já em Taiwan, a nova legislação prevê prisão de até sete anos para operação sem licença. O contraste mostra como cada jurisdição calibra o incentivo à entrada de empresas versus a punição a operadores irregulares.
O bitcoin negociado a US$ 61.192, com alta de 4% em 24 horas. Em reais, a cotação estava em R$ 317.427. A recuperação do mercado ocorre no mesmo dia em que a VARA divulgou o marco, mas os fluxos institucionais ainda enfrentam pressão vinda dos saques recordes nos ETFs de Bitcoin em junho, que somaram US$ 4,51 bilhões. Segundo dados divulgados pela página oficial da VARA, novas solicitações de licença seguem em análise para o segundo semestre.
