- Advogados de Lula pedem ao MPF investigação sobre pagamentos em criptoativos pró-Flávio
- Carteira abastecida pela Binance criou o token B22 e enviou 120 milhões de unidades
- Campanha de Flávio nega vínculo e diz que vai pedir derrubada do site
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar um suposto esquema de pagamentos em criptomoedas destinado a promover a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A denúncia, apresentada na quinta-feira (8), envolve o Brasil 22 Token (B22), uma memecoin criada na blockchain Solana que oferecia recompensas digitais para usuários divulgarem o projeto nas redes sociais.
Segundo a representação, a iniciativa distribuía tokens para incentivar publicações associadas ao número 22, utilizado pelo candidato do PL na eleição presidencial. A campanha petista sustenta que a estratégia pode configurar propaganda eleitoral irregular, abuso de poder econômico e, dependendo das circunstâncias identificadas, compra de votos.
A denúncia surgiu após uma reportagem da Folha de S.Paulo revelar que o site Brasil22Token oferecia criptomoedas a usuários que compartilhassem mensagens do projeto. A campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer envolvimento com a iniciativa e afirmou que pretende adotar medidas judiciais para retirar a página do ar.
Token B22 prometia criptomoedas por publicações nas redes sociais
De acordo com a denúncia, o projeto oferecia 30 mil tokens B22 para cada uma das primeiras mil pessoas que publicassem conteúdos relacionados à iniciativa no X, Instagram ou TikTok. O programa de distribuição gratuita, conhecido como airdrop, teria inscrições abertas até 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições.
O caso ganhou repercussão após o grupo infantil de dança HypersKids, de Uganda, publicar um vídeo com crianças utilizando camisetas do B22 e incentivando o voto em Flávio Bolsonaro. O perfil possui aproximadamente 12,9 milhões de seguidores no Instagram e a publicação ultrapassou 1,2 milhão de visualizações, segundo os dados divulgados pela imprensa.
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A representação petista afirma que uma carteira digital financiada por meio da Binance criou o token em 7 de outubro e transferiu 120 milhões de unidades B22 para um endereço apresentado como pertencente ao grupo africano. Na cotação mencionada na denúncia, o montante equivalia a aproximadamente R$ 104,5 mil. O ativo também teria registrado volume de negociação de R$ 1,06 milhão em 24 horas.
A iniciativa era divulgada por Kevim Flores, apontado pela Folha como idealizador do projeto. Em publicações nas redes sociais, ele associava a possível valorização da criptomoeda ao resultado eleitoral e chegou a mencionar uma alta potencial superior a 3.000%.
PT pede investigação por possível compra de votos
Os advogados da campanha de Lula pediram a preservação de registros digitais, a identificação dos responsáveis pelo projeto e a abertura de investigação sobre eventuais irregularidades eleitorais.
Entre os dispositivos citados está o artigo 334 do Código Eleitoral, que prevê punição para o uso de estruturas comerciais de distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios destinadas à propaganda ou ao aliciamento de eleitores.
A representação também solicita análise do artigo 299, relacionado à corrupção eleitoral, e do artigo 335, que trata da propaganda eleitoral em língua estrangeira.
Além do MPF, a campanha petista levou o caso à Polícia Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), solicitando providências para apurar a origem dos recursos e eventual uso de recompensas financeiras na promoção eleitoral.
Os pedidos incluem a preservação de dados de plataformas como Meta, X, Telegram e Binance, além de cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos para identificar os responsáveis pelas contas e pela infraestrutura digital do projeto.
A denúncia não significa que houve comprovação de compra de votos. Será necessário verificar se as recompensas estavam efetivamente condicionadas a manifestações eleitorais e se houve participação ou conhecimento de integrantes da campanha beneficiada.
Após denúncia, B22 retira campanha política do site
Nesta sexta-feira (9), o Brasil 22 Token modificou seu site e anunciou a retirada de toda a comunicação relacionada à disputa eleitoral.
Na nova versão, os responsáveis afirmam que a iniciativa passará a concentrar sua divulgação exclusivamente na construção de uma casa para o grupo HypersKids, em Kampala, capital de Uganda.
O projeto também informou ter suspendido o airdrop por compartilhamento, os incentivos de divulgação, os pedidos de voto e as referências a candidatos. A reserva de 30 milhões de tokens anteriormente destinada à distribuição gratuita continua identificada na documentação apresentada pela equipe.
O site confirma a criação de 1 bilhão de unidades B22 na blockchain Solana, das quais 120 milhões foram destinadas à carteira apresentada como pertencente ao grupo infantil. Também classifica o ativo como uma memecoin de alto risco, sem garantia de valorização.
Em sua manifestação, a equipe do B22 afirma que o projeto foi criado de maneira independente, sem participação, financiamento ou coordenação de candidatos, partidos ou campanhas eleitorais.
A campanha de Flávio Bolsonaro apresentou posição semelhante. Em nota à imprensa, declarou desconhecer os responsáveis pelo site e negou ter contratado perfis para divulgar o token ou conteúdos eleitorais.




