- SEC corta “haircut” de stablecoins de 100% para apenas 2%.
- Mudança libera até US$ 98 milhões a cada US$ 100 milhões mantidos.
- Mercado pode crescer até US$ 3 trilhões até 2030, segundo o Tesouro dos EUA.
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) deu um passo decisivo para integrar stablecoins ao sistema financeiro tradicional.
Isso reduz drasticamente o capital exigido e torna esses ativos muito mais atraentes para instituições financeiras.
Nova regra reduz custo e aumenta eficiência das instituições
A nova orientação permite que corretoras considerem apenas 2% de risco sobre stablecoins, contra até 100% antes.
Corretoras e intermediários financeiros precisam manter reservas proporcionais ao risco dos ativos que possuem. Esse mecanismo, chamado de “haircut”, funciona como uma margem de segurança contra perdas.
Antes, a ausência de orientação clara levava muitas instituições a aplicar um haircut de 100% sobre stablecoins. Na prática, isso tornava seu uso economicamente inviável.
Por exemplo, uma corretora com US$ 100 milhões em USDC precisava manter outros US$ 100 milhões em caixa ou títulos seguros. Portanto, o custo operacional dobrava.
Agora, com a nova regra, essa exigência caiu para apenas 2%. Isso significa que a mesma corretora precisa manter apenas US$ 2 milhões em reserva. Como resultado, US$ 98 milhões ficam livres para novos investimentos, crédito ou expansão.
A comissária da SEC, Hester Peirce, afirmou que a exigência anterior era excessiva. Segundo ela:
“Um haircut de 100% seria desnecessariamente punitivo, considerando os ativos que sustentam stablecoins de pagamento.”
Além disso, a nova exigência se alinha ao padrão aplicado a fundos do mercado monetário, considerados instrumentos de baixo risco.
Stablecoins ganham caminho livre para adoção institucional
A nova regra reduz uma das maiores barreiras à adoção institucional. Até agora, o alto custo de capital afastava bancos, corretoras e gestoras.
Com a mudança, o incentivo econômico se tornou claro. As instituições podem usar stablecoins com muito mais eficiência.
JP Richardson, CEO da Exodus, destacou o impacto imediato da decisão. Segundo ele:
“Essa medida abrirá as comportas para integrar stablecoins às finanças institucionais.”
Além disso, a mudança cria pressão competitiva, empresas que adotarem stablecoins terão vantagem operacional e maior eficiência de capital.
Consequentemente, instituições que ignorarem essa tendência podem perder relevância.
O mercado já mostra sinais de maturidade, stablecoins somam mais de US$ 300 bilhões atualmente. Entretanto, especialistas acreditam que o crescimento pode acelerar.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prevê expansão massiva. Ele estima que o setor pode atingir US$ 3 trilhões até 2030.
Isso representaria um crescimento de 10 vezes em menos de uma década.
Infraestrutura financeira entra em nova fase
A nova orientação da SEC representa uma mudança estrutural, stablecoins deixam de ser um experimento e passam a integrar o núcleo do sistema financeiro.
Além disso, a redução do custo operacional incentiva o desenvolvimento de infraestrutura baseada nesses ativos. Isso inclui pagamentos, liquidação e serviços financeiros globais.
Portanto, a decisão pode acelerar a convergência entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto.
No longo prazo, stablecoins podem se tornar um dos pilares da liquidez digital global. A mudança não apenas reduz custos, ela redefine o papel das stablecoins na economia moderna.
