Trump declara compras de ações da Coinbase e Robinhood ao governo

  • Trump compra ações da Coinbase em faixa de até US$ 500 mil
  • Filing aponta mais de 3 mil operações em ações americanas
  • Mineradoras MARA e CleanSpark também aparecem na lista do presidente

Novos documentos protocolados no Escritório de Ética do Governo dos Estados Unidos revelam que o presidente Donald Trump ampliou sua exposição ao setor cripto para além das políticas regulatórias e do meme coin TRUMP. Os arquivos mostram operações em ações da Coinbase (COIN), Robinhood (HOOD) e duas mineradoras de Bitcoin listadas em bolsa.

Os dois formulários 278-T, datados de quinta-feira, descrevem mais de 3.000 operações com títulos distribuídas em mais de 100 páginas. O presidente foi multado por atraso no envio, segundo o próprio registro.

O tamanho das apostas em cripto

Os valores exatos não são informados — o sistema americano exige apenas faixas. Mesmo assim, dá para mapear onde está o dinheiro grande. A maior operação ligada ao setor foi uma compra de ações da Coinbase em 10 de fevereiro, na faixa de US$ 100.001 a US$ 500.000.

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Cerca de um mês depois, novo aporte na corretora, agora entre US$ 50.001 e US$ 100.000. A Robinhood, plataforma que combina corretagem tradicional e cripto, recebeu compra superior a US$ 100 mil em 17 de março.

As mineradoras aparecem em escala menor. Operações de compra e venda envolvendo MARA Holdings (MARA) e CleanSpark (CLSK) ficaram na faixa entre US$ 15.001 e US$ 50.000. Os trades de maior porte do filing, vale notar, estão fora do universo cripto — nomes como Nvidia e Amazon dominam a parte superior da carteira, com tickets que chegam a US$ 5 milhões.

A defesa da Trump Organization

A pressão sobre os negócios cripto da família presidencial cresce desde 2024. Reportagens estimam que o clã acumulou mais de US$ 1 bilhão em lucros com cripto até outubro de 2025, somando o memecoin, a operação de DeFi World Liberty Financial e participações em mineradoras.

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A resposta oficial tenta isolar o presidente das decisões. Um porta-voz da Trump Organization afirmou ao Decrypt que todos os investimentos são geridos por contas discricionárias sob comando exclusivo de instituições financeiras terceirizadas. “Nem o presidente Trump, sua família ou a Trump Organization desempenham qualquer papel em selecionar, direcionar ou aprovar investimentos específicos”, disse o representante.

O argumento jurídico é conhecido nos EUA. Funciona como um blind trust informal: o titular sabe que tem dinheiro investido, mas não escolhe os ativos. Críticos apontam que a estrutura não elimina o conflito quando o gestor compra ações de empresas diretamente afetadas por decisões da Casa Branca — caso da Coinbase, que viu seus processos com a SEC arquivados após a posse.

O impasse no CLARITY Act

A divulgação chega em momento sensível para a regulação cripto americana. Restrições aos investimentos pessoais do presidente em ativos digitais foram um dos pontos mais disputados durante a tramitação do CLARITY Act no Senado. Democratas tentaram incluir linguagem que vedasse ao presidente e familiares o lançamento de tokens ou stablecoins enquanto no cargo.

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A senadora Elizabeth Warren liderou a ofensiva ética, mas o projeto avançou no Comitê Bancário por 15 a 9 mesmo sem acordo sobre o tema. Emendas adicionais ainda ameaçam desenvolvedores de DeFi e prometem novas batalhas no plenário.

O recado para o investidor brasileiro

Para quem opera no Brasil, o dado relevante é o sinal indireto. Quando o ocupante da Casa Branca aparece como comprador de Coinbase em faixa de até meio milhão de dólares, o mercado lê como aval implícito ao setor — mesmo que a decisão tenha partido de gestores independentes.

A Coinbase opera no país desde 2023 e disputa espaço com Binance, Mercado Bitcoin e a recém-regulamentada Bybit, que abriu CNPJ no Brasil. A trajetória das ações COIN, por sua vez, costuma servir de termômetro para o ânimo institucional global em torno de Bitcoin e altcoins, ainda que o desempenho recente tenha sido pressionado pela queda do BTC abaixo dos US$ 90 mil. Os documentos completos estão disponíveis no portal do Office of Government Ethics.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.
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