- Trump afirma que bancos ameaçam o GENIUS Act e seguram o Clarity Act no Senado.
- Bancos alertam para possível fuga de até US$ 6,6 trilhões em depósitos.
- Impasse ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato de 2026.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o setor bancário ao acusar instituições financeiras de sabotarem o avanço do Clarity Act por causa da disputa sobre rendimentos de stablecoins.
O embate ameaça travar a consolidação do marco regulatório cripto antes das eleições legislativas de 2026.
Disputa sobre rendimento vira ponto central do conflito
No centro do impasse está o GENIUS Act, sancionado por Trump em julho passado, a lei proíbe emissores de stablecoins de pagarem juros diretamente aos detentores. Entretanto, o texto não impede que plataformas terceiras distribuam rendimentos.
Por isso, exchanges como Coinbase e Kraken podem repassar aos usuários ganhos obtidos com títulos do Tesouro americano. Esse modelo cria vantagem frente a contas poupança tradicionais, que muitas vezes pagam apenas 0,01% ao ano.
Bancos reagiram com força, o Bank Policy Institute estima que o formato atual pode provocar saída de até US$ 6,6 trilhões em depósitos.
Além disso, o CEO do Bank of America, Brian Moynihan, afirmou em janeiro que stablecoins com rendimento poderiam deslocar de 30% a 35% dos depósitos comerciais.
Trump criticou publicamente essa resistência, em postagem na Truth Social, declarou:
“Os bancos estão batendo recordes de lucro, e não vamos permitir que prejudiquem nossa poderosa agenda cripto”.
Segundo ele, a demora pode empurrar a inovação para a China e outros países.
Clarity Act trava no Senado em meio à pressão política
O impasse atinge diretamente o CLARITY Act, projeto que define competências entre SEC e CFTC no mercado cripto, o texto, contudo, virou palco da disputa sobre rendimentos de stablecoins.
O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, defendeu regras mais rígidas. Em entrevista à CNBC, afirmou que empresas que pagam rendimento “funcionam como bancos” e deveriam cumprir exigências equivalentes, como capital mínimo e seguro do FDIC.
Entretanto, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, rejeitou essa interpretação, ele argumenta que a concorrência digital forçará bancos a aceitar o pagamento de rendimentos no futuro.
Enquanto isso, o prazo informal da Casa Branca, fixado para 1º de março, expirou sem acordo. Além disso, o Comitê Bancário do Senado adiou a votação prevista para janeiro.
O calendário encurta com o recesso de verão e a corrida eleitoral de 2026.
Portanto, o risco político cresce, sem consenso, os Estados Unidos podem perder ritmo na definição de regras claras para o setor. Em um mercado global altamente competitivo, atrasos regulatórios podem custar liderança, investimentos e inovação.
No curto prazo, o embate entre bancos e empresas cripto definirá não apenas o futuro das stablecoins com rendimento, mas também o equilíbrio entre sistema financeiro tradicional e ativos digitais nos EUA.
