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- Samsung Wallet terá envio de USDC via Solana em 82 milhões de Galaxy
- Recurso entra no ar na última semana de outubro de 2026 nos EUA
- Custódia dos dólares digitais fica na Coinbase Prime, com apoio da Bastion
A Samsung vai transformar o Galaxy em terminal de remessa internacional. A fabricante sul-coreana anunciou, junto com a Solana Foundation, a inclusão de pagamentos transfronteiriços em USDC dentro do Samsung Wallet, usando a rede Solana como trilho de liquidação.
São 82 milhões de aparelhos compatíveis nos Estados Unidos na primeira leva. A ativação está prevista para a última semana de outubro de 2026.
O detalhe que importa: o usuário não precisa baixar carteira cripto nenhuma. Tudo roda dentro do app que já vem instalado no celular, com rampas de entrada e saída em moeda local embutidas na própria interface.
Envio sem taxa para carteira e com taxa para banco
Quem tiver a função liberada poderá mandar USDC para carteiras compatíveis sem pagar tarifa de transferência à Samsung. Há ainda a opção de enviar dinheiro diretamente para contas bancárias em mais de 60 países — nesse caso, com cobrança.
Verificação de identidade e critérios de elegibilidade continuam valendo. Não é um canal anônimo: a empresa montou a estrutura dentro das exigências regulatórias americanas para transmissão de valores.
A infraestrutura de custódia e pagamento vem de dois parceiros. A Coinbase guarda os dólares digitais no Coinbase Prime, enquanto a Bastion cuida da camada de processamento. A Samsung também está integrando a blockchain Sui ao mesmo projeto de expansão em stablecoins, sinal de que a aposta não é exclusiva de uma rede.
Solana já moveu US$ 5,25 trilhões em stablecoins em 2026
Os números da rede ajudam a explicar a escolha. Segundo a Solana Foundation, a oferta de stablecoins na blockchain cresceu quase 20% nos últimos 12 meses. No acumulado de 2026, o volume transacionado em dólares digitais na rede passou de US$ 5,25 trilhões.
A aproximação com o mundo corporativo tradicional também avançou. Em setembro, a Solana apresentou um padrão de liquidação atômica desenvolvido com participação do JP Morgan, voltado a ativos tokenizados.
Mesmo assim, o token nativo não reagiu. O SOL é negociado a US$ 114,84 (R$ 574,90), em queda de 3,1% nas últimas 24 horas, acompanhando o mau humor geral do mercado — o Bitcoin opera perto de US$ 82.972. Infraestrutura adotada por big tech e preço de token seguem rodando em velocidades diferentes.
Samsung mexe com blockchain desde o Galaxy S10
Não é estreia. Em 2019, a empresa lançou o Samsung Blockchain Keystore junto do Galaxy S10, permitindo guardar chaves privadas no próprio aparelho. Depois veio a Samsung Blockchain Wallet, para gerenciar ativos e acessar aplicações descentralizadas.
Dois anos mais tarde, a fabricante adicionou suporte a carteiras físicas Ledger Nano S e Nano X. A carteira nativa já operava com Bitcoin, Ethereum, Tron e dezenas de tokens.
A relação com a Coinbase vem se estreitando desde julho de 2025, quando o Samsung Pay virou método de aporte na exchange. Em outubro daquele ano, usuários do Wallet ganharam assinaturas promocionais do Coinbase One. O anúncio atual é o passo seguinte dessa linha, conforme o comunicado da Solana Foundation.
Brasil fica de fora por barreira regulatória, não técnica
O recurso nasce restrito aos EUA, e dificilmente chegaria ao Brasil no mesmo formato. O obstáculo não é tecnológico — é normativo. As novas regras do Banco Central para pagamentos internacionais colocaram amarras específicas sobre o uso de ativos virtuais em remessas, incluindo prazos de travamento que o setor privado classificou como excessivos.
A própria Coinbase já criticou publicamente a trava de 24 horas adotada pela autoridade monetária. O argumento das empresas é direto: funcionalidades embarcadas em carteiras de celular dependem de liquidação em segundos para competir com remessa bancária.
Enquanto isso, o brasileiro segue usando stablecoin por outro caminho. USDT e USDC já respondem pela maior fatia do volume declarado de cripto à Receita Federal, quase sempre via exchanges locais ou estrangeiras — e não dentro de um app pré-instalado no telefone.



