- A Aave Chan Initiative encerrará suas atividades no protocolo em até 4 meses.
- A saída ocorre após aprovação do maior orçamento da história da DAO.
- Conflito interno já havia provocado a saída da BGD Labs e queda de 6% no token AAVE.
A Aave Chan Initiative (ACI) anunciou que deixará a governança da Aave nos próximos quatro meses.
Assim, a decisão aprofunda a crise interna do maior protocolo de empréstimos do DeFi, avaliado em US$ 27 bilhões.
Disputa por poder acelera ruptura na DAO
Marc Zeller, fundador da ACI, anunciou a saída em proposta publicada na governança, até então, a organização atuava no desenvolvimento de negócios e na coordenação da DAO.
Segundo ele, a decisão ocorreu após a aprovação de um orçamento recorde para a Aave Labs, principal desenvolvedora do protocolo. Além disso, a proposta avançou com forte apoio no sábado.
Zeller afirmou que carteiras ligadas à própria Aave Labs sustentaram a votação. Por isso, questionou a independência do processo e o equilíbrio de poder.
“Não há espaço para um provedor independente quando o maior beneficiário do orçamento detém poder de voto não divulgado e o utiliza em suas próprias propostas”, escreveu.
Nesse contexto, o caso reacende o debate sobre a autonomia da DAO, em tese, detentores de tokens podem propor e votar mudanças. No entanto, a concentração de influência pode comprometer essa dinâmica.
A tensão crescia desde dezembro, quando a comunidade tentou transferir a propriedade intelectual da Aave para a DAO. Contudo, a proposta fracassou em 25 de dezembro.
Depois, a Aave Labs sugeriu direcionar receitas da marca à DAO, entretanto, incluiu a ratificação da futura V4 como base técnica central, o que ampliou o impasse.
Saída da BGD Labs e impacto no token
O impasse também provocou a saída da BGD Labs, responsável pela versão V3, com isso, a crise deixou o campo político e atingiu a área técnica.
A V3 é uma das versões mais lucrativas da Aave, por isso, a priorização da V4 gerou reação imediata.
A proposta poderia frear avanços na V3 e ajustar parâmetros para forçar a migração de usuários. Na prática, pressionaria o mercado a adotar uma versão ainda não testada. Para a BGD, a estratégia era arriscada.
Após a saída, o token AAVE caiu 6% em 20 de fevereiro. Assim, o mercado reagiu à instabilidade.
Zeller chamou o episódio de “gota d’água” e afirmou que “tudo era totalmente evitável”. Portanto, a ruptura reflete desgaste acumulado.
Agora, investidores monitoram os próximos passos. Enquanto isso, Zeller sinalizou que pode apoiar um novo projeto da BGD.
A crise expõe fragilidades na governança do DeFi, além disso, levanta dúvidas sobre a real descentralização do setor. Nos próximos meses, a Aave precisará reconstruir confiança para manter sua posição.
