- Cerca de 75 mil ETH, avaliados em mais de US$ 220 milhões, ficaram sem resgate desde 2016.
- Os recursos vão financiar iniciativas de segurança do Ethereum, por meio de staking.
- O fundo será liderado por Vitalik Buterin e outros especialistas do ecossistema.
O TheDAO, projeto central do maior hack da história do Ethereum, voltou quase dez anos depois.
Agora, o projeto busca fortalecer a segurança da rede com recursos esquecidos desde 2016.
Recursos esquecidos viram fundo de segurança
Em 2016, o TheDAO arrecadou mais de US$ 150 milhões em ETH. Pouco depois, uma falha em seu contrato inteligente permitiu o desvio de fundos e quase inviabilizou o Ethereum.
Diante disso, a comunidade decidiu realizar um hard fork. A medida recuperou os valores roubados, entretanto, também provocou intenso debate sobre imutabilidade e governança.
A maioria dos investidores resgatou seu Ether. Ainda assim, cerca de 75 mil ETH permaneceram sem reivindicação. Segundo os responsáveis pela custódia, o prazo final terminou em 31 de janeiro de 2017.
Como resultado, esses recursos ficaram parados por quase uma década.
“O TheDAO Security Fund vai ativar mais de 75 mil ETH para fortalecer a segurança do Ethereum”, escreveu o empreendedor cripto Griff Green, em publicação oficial.
Nova missão: tornar o Ethereum mais seguro
A retomada do TheDAO começou após uma descoberta casual. Nesse contexto, o pesquisador conhecido como Fade, da Wintermute, encontrou um antigo post que previa esse uso dos fundos.
A partir dessa constatação, o grupo propôs a criação do TheDAO Security Fund. O modelo prevê o staking dos ETH e utiliza apenas o rendimento para financiar projetos de segurança.
Além disso, usuários do Ethereum poderão votar na alocação dos recursos, em rodadas sucessivas de governança. Assim, a iniciativa combina financiamento contínuo com participação comunitária.
O fundo seguirá as diretrizes da iniciativa Trillion Dollar Security, da Ethereum Foundation. Esse programa define seis prioridades para reduzir riscos em contratos inteligentes e na infraestrutura da rede.
A liderança reúne Vitalik Buterin, a pesquisadora Taylor Monahan e outros quatro nomes relevantes do setor.
Impactos para o ecossistema Ethereum
O fundo manterá o capital principal intocado, com isso, poderá gerar financiamento contínuo por anos, sem consumir os recursos originais.
Dessa forma, a iniciativa amplia auditorias, desenvolve ferramentas de prevenção e fortalece a educação em segurança. Ao mesmo tempo, reforça a confiança institucional no Ethereum.
“O mundo está pronto para nossa tecnologia. Agora, precisamos garantir que ela esteja pronta para o mundo”, afirmou Griff Green.
Por fim, a iniciativa resgata um compromisso antigo da comunidade. Aquilo que parecia perdido, portanto, assume uma função estratégica.
No fim, o episódio mais traumático do Ethereum pode se transformar em um de seus maiores legados em segurança e maturidade institucional.
