- Chainless monta prateleira de produtos sem assumir custódia dos ativos do cliente
- Modelo de autocustódia transfere controle das chaves privadas ao próprio investidor
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A Chainless anunciou que está ampliando sua prateleira de investimentos com ouro lastreado em metal físico, exposição econômica a ações e ETFs dos Estados Unidos e produtos de renda em real e dólar, sem assumir a custódia dos ativos mantidos pelo cliente. A plataforma chegou a aproximadamente 40 mil clientes e já superou R$ 500 milhões em volume processado desde o lançamento.
A estratégia busca aproximar uma oferta mais ampla de investimentos de uma arquitetura em que a própria plataforma não concentra a custódia dos ativos mantidos na carteira do usuário. A Chainless não tem acesso às chaves privadas. Nos produtos tokenizados, os ativos que servem de lastro possuem estruturas próprias de custódia, enquanto os tokens permanecem sob controle do investidor.
Agora, a empresa quer avançar sobre uma parcela maior da carteira do cliente combinando acesso a diferentes classes de ativos, moedas e mercados com uma arquitetura em que não assume a custódia do que permanece na carteira do usuário. A estratégia também responde a uma demanda recorrente da base por distribuir melhor o patrimônio entre diferentes moedas, mercados e ambientes econômicos.
Para Kevin Voigt, cofundador e CEO da Chainless, esse é o ponto que diferencia a estratégia de uma simples expansão da prateleira.
“Ter uma prateleira maior deixou de ser diferencial. O que passa a importar é como o investidor acessa essa prateleira e quem mantém o controle dos ativos. A Chainless quer ampliar o acesso a ouro, ações, renda e mercados internacionais sem concentrar na própria plataforma a custódia do que permanece na carteira do cliente. É essa arquitetura que sustenta nossa visão de soberania patrimonial”, afirma Voigt.

Ações americanas
Entre os ativos que passaram a integrar a plataforma estão PAXG e XAUT, tokens lastreados em ouro físico. O metal que dá lastro aos produtos é mantido em estruturas próprias de custódia dos respectivos emissores.
A entrada do ouro amplia a atuação da Chainless para uma classe tradicional de proteção patrimonial num momento em que outras estratégias de diversificação ganham espaço entre investidores brasileiros. Levantamento da DataWise+, da B3, mostrou entre os ETFs mais comprados produtos ligados a renda fixa, ouro e índices americanos, além do Ibovespa.
Com ouro, ações americanas e produtos de renda na mesma carteira, a Chainless amplia a atuação para classes de ativos que normalmente são acessadas por instituições e estruturas diferentes.
A integração com a Ondo Global Markets segue essa lógica e dá a investidores qualificados acesso a produtos com exposição econômica a mais de 400 ações e ETFs negociados nos Estados Unidos, incluindo fundos ligados a diferentes países, regiões e setores da economia global.
Os tokens ficam na carteira do usuário, enquanto os ativos que servem de lastro permanecem nas estruturas de custódia da emissão. No caso das ações e ETFs, o investidor tem exposição econômica aos papéis, mas não se torna necessariamente seu titular direto nem recebe automaticamente os mesmos direitos de um acionista registrado.
Na Chainless, o acesso a esses produtos é restrito a investidores qualificados.
Renda em dólar entra também como diversificação patrimonial
A estratégia também alcança a parcela da carteira destinada à geração de renda. Na plataforma, produtos referenciados em real e dólar são acessados dentro da mesma arquitetura, mas podem cumprir funções diferentes na composição do patrimônio.
Em real, a Chainless reúne alternativas ligadas ao Tesouro Selic e ao crédito privado tokenizado. Em dólar, estão produtos como o USDY, lastreado principalmente em títulos de curto prazo do Tesouro americano, além de estruturas de crédito por meio de protocolos como Aave, Morpho e Maple.
Para parte da base da Chainless, a decisão por produtos em dólar não é explicada apenas pela taxa de retorno. A moeda também entra como forma de distribuir a exposição do patrimônio entre diferentes mercados e ambientes econômicos.
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A diferença importa porque o retorno não vem do mesmo lugar. No USDY, está ligado aos ativos financeiros que sustentam a emissão. Nos mercados de crédito, vem dos juros pagos por quem toma recursos. No Tesouro Selic, acompanha a remuneração da dívida pública brasileira. Taxas, liquidez e riscos mudam de uma estrutura para outra.
Ao reunir essas alternativas, a Chainless tenta deslocar uma pergunta comum ao investidor, de “quanto rende?” para “de onde vem o rendimento?”. Na mesma carteira, ele consegue comparar moeda, origem do retorno, liquidez e risco antes de decidir onde alocar.
Produtos denominados em dólar adicionam risco cambial. Estruturas de crédito e protocolos descentralizados podem envolver riscos de crédito, stablecoins e contratos inteligentes e não contam, de forma geral, com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos.
“A próxima etapa dessa indústria não é fazer o investidor entender mais tecnologia. É fazer com que ele precise pensar menos nela. A decisão precisa ser sobre risco, liquidez, moeda, retorno e objetivo patrimonial, não sobre protocolo ou infraestrutura. Quando Tesouro brasileiro, renda em dólar, mercados internacionais e diferentes alternativas de crédito conseguem conviver na mesma experiência, o investidor consegue pensar também em como distribuir sua exposição. A tecnologia finalmente ocupa o lugar certo, por trás da decisão e não no centro dela”, afirma Hamilton Haskel, cofundador e CMO da Chainless.
Custódia
A expansão da Chainless ocorre enquanto o próprio mercado brasileiro começa a discutir não apenas quais ativos podem ser tokenizados, mas como emissão, negociação, registro, custódia e liquidação vão funcionar nessa nova infraestrutura.
Em setembro, o Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM entregou ao Colegiado da autarquia a proposta do Programa Piloto DLT, que prevê testes de emissão, oferta, distribuição, negociação, escrituração, custódia, depósito centralizado e liquidação de valores mobiliários em redes de registro distribuído. Entre os ativos previstos estão ações, debêntures, certificados de recebíveis e cotas de fundos.
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O movimento ocorre num mercado que já ganhou escala. Levantamento do RWA Monitor aponta R$ 4,84 bilhões em emissões tokenizadas no Brasil no primeiro semestre de 2026, alta de 122% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para a Chainless, o avanço dessa infraestrutura leva a discussão para além da tokenização e coloca uma questão no centro do debate. Quem controla os ativos e quem assume sua custódia quando produtos tradicionais passam a circular sobre novas redes?
É nesse ponto que a empresa posiciona o conceito de soberania patrimonial, ampliando o acesso e a diversificação sem retirar do investidor o controle sobre os ativos mantidos em sua carteira.
“A próxima fronteira não é colocar mais ativos dentro de uma plataforma. É fazer com que diferentes mercados possam conviver numa mesma experiência sem que o investidor precise abrir mão do controle sobre o patrimônio. Quando a infraestrutura deixa de ser percebida e o cliente passa a pensar apenas em risco, liquidez, moeda e objetivo patrimonial, esse modelo começa a fazer sentido de verdade”, afirma Voigt.



