KelpDAO retoma operações e rsETH volta a sair de exchanges após hack

  • KelpDAO retomou saques, bridging e operações de rsETH em 15 de maio
  • Exchanges registraram saída líquida de 435 rsETH, cerca de US$ 936 mil
  • Exploit de abril desviou 152.577 rsETH avaliados em US$ 292 milhões

Um mês após o exploit de US$ 292 milhões, o KelpDAO voltou a operar e o mercado começa a sinalizar retomada de confiança no rsETH. Dados da Santiment mostram saída líquida de aproximadamente 435 rsETH, equivalentes a US$ 936 mil, das corretoras logo após o anúncio de reabertura do protocolo, em 15 de maio.

O movimento contrasta com a reação registrada no dia do ataque. Em 18 de abril, quando invasores exploraram uma vulnerabilidade na ponte cross-chain construída sobre o LayerZero, as exchanges receberam um fluxo líquido de 563 rsETH, cerca de US$ 1,1 milhão. Era o típico comportamento defensivo, investidores correndo para vender ou trocar por stablecoins.

Agora, a direção se inverteu. O rsETH voltou a fluir de exchanges para carteiras self-custody, plataformas de staking e protocolos DeFi. O sinal é coerente com o ciclo de recuperação anunciado pela equipe, que inclui retomada de saques, bridging e operações gerais do protocolo de restaking líquido.

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Como foi o ataque e a recuperação

O exploit drenou 152.577 rsETH e provocou efeito sistêmico no setor. O valor total bloqueado em DeFi recuou US$ 13,5 bilhões nos dias seguintes, segundo dados agregados do mercado. A resposta veio em bloco. KelpDAO, Arbitrum e Aave coordenaram congelamentos das posições do atacante em suas respectivas redes.

A Aave DAO ainda destinou doações ao fundo de recuperação, em movimento acompanhado por EtherFi, Lido e Ethena. A articulação entre protocolos rivais é incomum e reforça uma tendência observada desde o caso Euler em 2023: quando o risco é sistêmico, os concorrentes preferem cooperar a deixar o contágio se espalhar.

O episódio também acende novo alerta sobre pontes cross-chain. O LayerZero foi peça central do ataque, e protocolos do ecossistema vêm reavaliando essa dependência. A migração da Lombard para Chainlink CCIP, que retirou US$ 1 bilhão em BTC do LayerZero, ilustra o movimento de revisão da camada de mensageria entre cadeias.

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Impacto para o investidor brasileiro

O caso KelpDAO importa diretamente para quem opera restaking líquido no Brasil. Tokens como rsETH circulam em DEXs acessíveis a usuários nacionais, e perdas em pontes têm afetado fundos tokenizados que se apoiam nessa infraestrutura. Com o Bradesco avançando em custódia de Bitcoin e stablecoins, a discussão sobre risco de smart contract entra no radar do investidor institucional brasileiro.

A capitalização total do mercado cripto está em US$ 2,57 trilhões, com queda de 2,74% nas últimas 24 horas. O ambiente segue desafiador para narrativas de DeFi, mesmo com o staking de Ethereum em níveis recordes, acima de 39 milhões de ETH travados.

THORChain soma mais um incidente

Enquanto o KelpDAO tenta virar a página, outro protocolo entrou na lista de incidentes do ano. A THORChain, plataforma de liquidez descentralizada usada para swaps entre cadeias, sofreu exploit estimado em US$ 10,8 milhões, segundo o investigador on-chain ZachXBT em publicação no X.

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O ataque envolveu quatro blockchains, Bitcoin, Ethereum, BNB Smart Chain e Base. A equipe da THORChain interrompeu transações e emitiu alerta global. O protocolo já carrega histórico controverso: foi repetidamente utilizado como rota de lavagem por hackers do setor, incluindo grupos ligados à Coreia do Norte em ataques anteriores.

Somados, os incidentes elevam para US$ 823,9 milhões o prejuízo total de hacks e exploits em 2026, segundo levantamento da DefiLlama. O número confirma que o vetor cross-chain segue como ponto mais explorado por invasores, mesmo com auditorias e mecanismos de segurança em camadas. Para o investidor que mantém posições em restaking, o caso rsETH oferece um teste real: a velocidade da recuperação do preço e do TVL nas próximas semanas dirá se a tese sobrevive ao trauma.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.
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