- Ripple emitiu US$ 200 milhões em RLUSD no XRPL em uma única transação
- Mesma operação queimou US$ 100 milhões da stablecoin na rede Ethereum
- Market cap total do RLUSD chega a US$ 1,75 bilhão entre as duas redes
A Ripple executou no dia 20 de maio a maior emissão de RLUSD já registrada no XRP Ledger. Foram US$ 200 milhões criados em uma única transação às 12h42 (UTC), superando o recorde anterior de US$ 92,3 milhões, fixado em 1º de abril. A operação marca um ponto de virada na distribuição da stablecoin emitida pela empresa de pagamentos.
O movimento não veio sozinho. Algumas horas depois, a Ripple queimou US$ 100 milhões em RLUSD na rede Ethereum, na maior destruição de tokens já feita pela companhia naquela blockchain. O saldo do dia foi claro: o XRPL recebeu liquidez nova, enquanto a Ethereum perdeu participação no fornecimento total.
Redistribuição de liquidez entre redes
Os dados foram coletados por um rastreador comunitário do RLUSD com base em registros on-chain. Além da emissão principal, a Ripple acionou uma sequência de mints menores no XRPL ao longo do dia, 30 milhões às 12h45, 5 milhões às 17h51 e 1,9 milhão às 19h32. Pela subsidiária Standard Custody, a empresa totalizou US$ 245 milhões emitidos no XRP Ledger e US$ 57,9 milhões queimados na mesma rede no dia 20.
O resultado líquido foi um acréscimo de US$ 187,3 milhões à oferta no XRPL. Hoje, o supply do RLUSD na rede da Ripple soma US$ 690 milhões. Para se ter referência, esse valor era de cerca de US$ 300 milhões em 22 de março mais que o dobro em 60 dias.
Na Ethereum, o caminho foi inverso. A Ripple emitiu apenas 16,4 milhões de RLUSD durante o dia, em pequenas transações entre 3h25 e 10h15, mas queimou US$ 107,2 milhões. O saldo negativo de US$ 90,8 milhões reduziu o supply na rede de smart contracts para US$ 1,063 bilhão. Padrão parecido ocorreu em 1º de abril (-US$ 89,3 milhões) e 17 de abril (-US$ 50,7 milhões).
O que explica a migração para o XRPL
A leitura mais direta é operacional. Emissores de stablecoin costumam concentrar oferta onde existe demanda contratada normalmente formadores de mercado, mesas OTC e parceiros institucionais. A Ripple vem pressionando pela adoção do XRPL em casos de uso de pagamentos transfronteiriços, justamente o nicho em que USDT e USDC dominam hoje na Ethereum, Tron e Solana.
O movimento também conversa com a estratégia de competir por liquidez nativa dentro do próprio ecossistema. Quanto maior o supply de RLUSD no XRPL, maior a profundidade de pools que pareiam a stablecoin com XRP e ativos tokenizados. Vale lembrar que a discussão sobre corrida dos ETFs de altcoins coloca o XRP no centro do mapa institucional dos próximos meses, e uma stablecoin robusta nativa da rede fortalece esse argumento.
Impacto para o investidor brasileiro
Para quem opera no Brasil, o RLUSD ainda tem alcance limitado. Nenhuma das maiores corretoras locais como, Mercado Bitcoin, Foxbit, NovaDAX ou Bitso listou a stablecoin até o momento. A liquidez está concentrada em exchanges internacionais e pools on-chain, o que exige operar via ponte ou auto-custódia.
Mesmo assim, o crescimento importa. O Banco Central do Brasil discute, desde 2024, o enquadramento de stablecoins dentro do marco regulatório de ativos virtuais, e a chegada de um emissor com licença trust de Nova York como a Ripple amplia o leque de instrumentos que podem ser oferecidos por VASPs locais quando a normativa for publicada. A trajetória do RLUSD também pode pressionar o domínio do USDT no varejo brasileiro caso a Ripple priorize parcerias na América Latina.
Nos últimos sete dias, o saldo líquido do RLUSD entre as duas redes foi de +US$ 190 milhões, com praticamente todo o crescimento concentrado no XRPL. O time técnico da Ripple ainda não comentou publicamente a reorganização da oferta.
