- A Tether congelou US$ 4,2 bilhões em USDT ligados a crimes em três anos.
- Autoridades intensificaram pedidos desde 2023, incluindo US$ 544 milhões bloqueados na Turquia.
- A oferta de USDT caiu US$ 1,5 bilhão em fevereiro, sinalizando mudanças de liquidez no mercado.
A Tether bloqueou cerca de US$ 4,2 bilhões em USDT ligados a atividades criminosas nos últimos três anos.
O dado reforça o papel crescente das stablecoins no combate à fraude, em meio à pressão regulatória global.
Stablecoins se tornam ferramenta central no combate ao crime financeiro
A Tether intensificou bloqueios principalmente desde 2023, reguladores e agências aumentaram o monitoramento após o avanço de golpes e lavagem de dinheiro.
A empresa opera a maior stablecoin do mundo, atualmente, o USDT possui mais de US$ 180 bilhões em circulação. Esse valor cresceu significativamente, já que o total era de US$ 70 bilhões há três anos.
A empresa pode congelar fundos diretamente na blockchain, para isso, basta adicionar endereços à lista negra. Esse processo impede transferências e acesso aos valores.
Recentemente, a Tether ajudou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos a apreender quase US$ 61 milhões, os fundos estavam ligados ao golpe conhecido como “pig-butchering”.
Esse tipo de fraude envolve manipulação emocional, criminosos criam confiança antes de solicitar transferências financeiras.
Além disso, autoridades turcas solicitaram o bloqueio de US$ 544 milhões, o caso envolvia apostas ilegais e lavagem de dinheiro.
Segundo a Elliptic, emissores de stablecoins bloquearam cerca de 5.700 carteiras até 2025. Essas carteiras continham aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Desse total, cerca de 75% estavam em USDT.
Além da Tether, a Circle também realiza bloqueios similares com sua stablecoin USDC.
Queda na oferta de USDT levanta atenção sobre liquidez do mercado
A oferta de USDT caiu US$ 1,5 bilhão em fevereiro, em janeiro, a redução foi de US$ 1,2 bilhão. Os dados mostram a maior queda desde o colapso da FTX em 2022.
Segundo o CoinMarketCap, a redução pode refletir mudanças na distribuição, entretanto, não indica necessariamente queda na demanda.
A Tether afirmou que os dados representam ajustes temporários, portanto, a empresa não vê sinais de enfraquecimento estrutural.
Além disso, o USDC também registrou retração relevante no período, isso sugere um movimento mais amplo no mercado de stablecoins.
A Tether está sediada em El Salvador, o país adotou uma postura favorável ao setor cripto. Por isso, empresas do setor ampliaram sua presença local.
Centralização das stablecoins gera debate sobre controle financeiro
O congelamento de bilhões revela um paradoxo importante, stablecoins oferecem eficiência e velocidade. Entretanto, também permitem controle direto sobre fundos.
Esse poder agrada reguladores e autoridades, por outro lado, levanta preocupações entre defensores da descentralização.
A capacidade de bloquear ativos aproxima stablecoins do sistema financeiro tradicional, portanto, usuários passam a depender da confiança no emissor.
Esse cenário reforça o contraste com criptomoedas descentralizadas, como o Bitcoin. Nessas redes, nenhuma entidade pode congelar fundos unilateralmente.
O avanço da supervisão indica uma tendência clara, stablecoins devem operar cada vez mais integradas ao sistema regulatório global. Como resultado, o setor caminha para maior conformidade, porém com menos autonomia.
