- Nexo aposta em crédito cripto sem juros com garantia em BTC e ETH
- Empréstimos estruturados ganham força após crise do setor cripto
- Modelo conservador sinaliza maturidade no mercado de crédito digital
A Nexo voltou ao centro do mercado de crédito em criptomoedas ao lançar um empréstimo sem juros voltado exclusivamente para quem possui Bitcoin e Ethereum. A iniciativa marca uma nova fase da empresa e reforça a retomada do setor após anos de forte retração.
O novo produto permite que investidores utilizem BTC e ETH como garantia, sem pagar juros, por meio de contratos de prazo fixo. A proposta surge em um momento de recuperação gradual dos empréstimos garantidos por criptoativos, impulsionada por modelos mais conservadores e totalmente colateralizados.
Segundo a empresa, o produto recebeu o nome de crédito sem juros e estabelece, desde o início, todas as condições do empréstimo. Assim, o usuário define valor, prazo e regras de quitação antes mesmo da liberação dos recursos.
Além disso, a Nexo informou que não há liquidação antecipada durante o período contratado. Essa estrutura reduz riscos de chamadas de margem inesperadas, um problema comum nos ciclos anteriores do mercado cripto.
Ao final do prazo, o tomador pode liquidar o empréstimo usando stablecoins ou a própria garantia, dependendo das condições do mercado. Caso deseje, o usuário ainda pode renovar o contrato sob novos termos previamente definidos.
Modelo estruturado ganha escala no varejo
Até recentemente, esse tipo de empréstimo estruturado estava restrito aos canais privados e de balcão da Nexo. Em 2025, apenas nesse formato, a empresa afirma ter facilitado mais de US$ 140 milhões em operações.
Agora, ao levar o modelo para o público geral, a empresa busca ampliar sua base de clientes e oferecer previsibilidade em um mercado historicamente volátil. Com isso, o produto se diferencia das linhas tradicionais com juros variáveis.
Fundada em 2018, a Nexo atua em mais de 150 jurisdições, oferecendo serviços de empréstimo, negociação e poupança lastreados em criptomoedas. A empresa se consolidou como uma das principais plataformas centralizadas do setor.
Em abril de 2025, a companhia anunciou o retorno ao mercado americano, após ter se retirado no fim de 2022. Porém, a volta ocorreu depois de um acordo de US$ 45 milhões com a SEC, firmado no início de 2023.
Mercado de crédito cripto entra em fase mais madura
O setor de empréstimos em criptomoedas mudou profundamente desde 2022. Naquele período, colapsos como Celsius e BlockFi ampliaram o contágio financeiro e agravaram os efeitos da quebra da FTX.
Desde então, plataformas centralizadas adotaram estruturas mais rígidas de gestão de risco. Em 2025, empresas como Nexo, Ledn, Xapo Bank e Coinbase expandiram suas ofertas, priorizando colateralização total.
Ao mesmo tempo, o crédito descentralizado também avançou. Dados da DefiLlama mostram que o valor total bloqueado em empréstimos DeFi saltou de US$ 48,15 bilhões no início de 2025 para US$ 91,98 bilhões em outubro.

Após uma liquidação relevante em outubro, o mercado perdeu fôlego, mas se estabilizou em novembro. Atualmente, o TVL gira em torno de US$ 66 bilhões, indicando um novo equilíbrio.
A liderança segue com a Aave, que concentra mais de US$ 22 bilhões em empréstimos, garantidos por cerca de US$ 55 bilhões em ativos depositados.
Na segunda posição aparece a Morpho, com aproximadamente US$ 3,6 bilhões em empréstimos ativos, apoiados por quase US$ 10 bilhões em liquidez.
Ainda mais, o lançamento da Nexo reforça a tendência de crédito cripto mais previsível, transparente e sustentável, sinalizando uma nova etapa para o setor.

