- Verde Asset zera toda a posição em criptomoedas.
- Queda brusca do Bitcoin altera estratégia da gestora.
- Aposta migra para ouro, yuan e valorização do real.
A Verde Asset decidiu vender todos os seus Bitcoins e zerar a exposição em criptomoedas depois da forte queda que marcou o fim de 2025. A gestora, conhecida por sua influência na Faria Lima, tomou a decisão após o Bitcoin recuar mais de 30%, caindo dos US$ 126.000 para a faixa dos US$ 80.000 no último trimestre do ano. O movimento ocorreu em um momento em que os ETFs de cripto da B3 também registraram desempenho negativo e ampliaram a pressão sobre investidores institucionais.
A saída completa do mercado digital marca uma virada relevante na estratégia da casa liderada por Luis Stuhlberger. Em maio de 2025, o gestor havia afirmado que Bitcoin e ouro ganhavam destaque por seu caráter descorrelacionado. Naquele momento, as criptomoedas representavam 2,5% do portfólio de R$ 17 bilhões administrado pela Verde. No entanto, a forte correção do setor mudou a leitura e levou a gestora a revisar toda a tese.
A exposição não se limitava ao Bitcoin. A Verde também carregava cotas do HASH11, o maior ETF de criptomoedas da B3, que reúne ativos de alta capitalização. O fundo possui composição dominada por Bitcoin (74,42%), Ethereum (14,17%) e XRP (6,38%), além de outros criptoativos menores que influenciam sua oscilação. Com mais de 127.500 cotistas e R$ 3,19 bilhões sob gestão, o HASH11 fechou 2025 com perdas de 22,3%, ampliando o pessimismo no mercado institucional.
Bitcoin
A decisão da Verde ocorre apesar de a gestora manter sua visão de que o dólar tende a se desvalorizar no médio prazo. Mesmo assim, Stuhlberger optou por reforçar apostas em ouro, yuan chinês e derivativos ligados à valorização do real, deixando as criptomoedas fora dessa estratégia. Segundo a casa, esses ativos oferecem proteção mais eficiente em um cenário de juros menores no Brasil e nos Estados Unidos.
O desempenho recente do fundo reforçou a escolha. Em 2025, o Verde superou o CDI ao entregar 15,94% de retorno, impulsionado por ganhos em commodities — principalmente ouro —, ações globais e moedas estrangeiras alternativas ao dólar. Contudo, a desvalorização do petróleo, a queda do yuan chinês e a subexposição à bolsa brasileira limitaram resultados no início do ano.
O cenário externo também pesou. Analistas que previram a queda do Bitcoin para US$ 80.000 projetam agora uma fase de volatilidade intensa, o que aumentou a cautela entre gestores. Enquanto isso, os ETFs de cripto permaneceram como o ponto mais fraco da B3 em 2025. Além do HASH11, o BITH11, focado exclusivamente em Bitcoin, fechou o ano com baixa de 18,2%.
Em contraste, ETFs ligados a commodities se destacaram de forma expressiva. Um levantamento da consultoria Elos Ayta mostrou que o Global X Silver Miners (BSIL39) acumulou valorização de 131,35%, enquanto o Abrdn Physical Silver Shares (SIVR39) avançou 130,63%. O desempenho superior reforçou a migração de parte do mercado para ativos com risco menor e liquidez consolidada.
Assim, a saída completa da Verde do universo cripto mostra como a queda acentuada do Bitcoin reorganizou estratégias em diversos níveis. Mesmo com a expectativa de que o setor volte a crescer no longo prazo, o recado dos gestores é claro: em um ano dominado por incertezas, a prudência venceu a exposição ao risco digital.


