- Uso do USD1 acelera pagamentos internacionais do Paquistão
- Parceria fortalece modernização financeira e iniciativas regulatórias locais
- Stablecoin vira teste global para integração em sistemas nacionais
O Paquistão deu um passo decisivo ao adotar a stablecoin USD1, emitida pela World Liberty Financial, para testar novos modelos de pagamentos internacionais. O país, que busca modernizar sua estrutura financeira, decidiu avançar antes mesmo da conclusão de sua futura moeda digital de banco central. Essa iniciativa cria um caminho alternativo para fluxos transfronteiriços, algo crucial para uma economia que depende intensamente de remessas.
As autoridades conduzem o projeto dentro de uma estrutura regulamentada. Elas trabalham em coordenação direta com o Banco Central do Paquistão. Assim, elas evitam qualquer associação com operações informais de criptomoedas e reforçam que a solução tem caráter institucional.
O USD1 surge como uma camada adicional, e não como um substituto. A stablecoin complementa o plano de moeda digital soberana e oferece liquidações mais rápidas enquanto o país ainda desenvolve seus sistemas oficiais de longo prazo.
A estratégia de Islamabad ganha forma
Fontes próximas ao projeto afirmam que o acordo com uma entidade ligada à World Liberty já está fechado. Um anúncio formal deve ocorrer durante a visita de Zach Witkoff, diretor executivo da empresa, a Islamabad. As autoridades, porém, mantêm silêncio até agora, o que reforça o caráter sensível das discussões.
A iniciativa marca um dos primeiros compromissos de um governo nacional com a World Liberty Financial. Criada em 2024, a empresa rapidamente ganhou atenção por suas ligações comerciais com grupos associados a Donald Trump. Esse contexto coincide com um clima regulatório dos EUA cada vez mais favorável às stablecoins supervisionadas, o que abriu espaço para operações maiores.
Em um exemplo concreto, o investidor MGX, apoiado por Abu Dhabi, utilizou o USD1 para adquirir uma participação multimilionária na Binance. O caso mostrou que o token já atende transações institucionais, ampliando sua relevância no mercado global.
Um laboratório para o futuro das finanças digitais
O Paquistão avança em várias frentes para transformar seu sistema financeiro. O banco central já confirmou o andamento de um piloto de moeda digital. Além disso, reguladores trabalham em um projeto de lei para normatizar o mercado cripto e autorizaram organizações como Binance e HTX a iniciarem processos preliminares de integração local.
O Ministério das Finanças também avalia tokenizar ativos estatais, como títulos públicos e reservas de commodities. A medida busca ampliar a eficiência da gestão fiscal e reduzir a dependência de processos manuais.
O crescimento do uso de ativos digitais entre a população acelera o debate. Estimativas sugerem que milhões de paquistaneses já mantêm criptomoedas avaliadas em bilhões de dólares. Mesmo assim, especialistas temem que o país avance rápido demais e enfrente riscos de governança e volatilidade.
Os críticos alertam que a falta de supervisão adequada pode gerar dúvidas entre agências internacionais de classificação de risco. Eles temem que estruturas tokenizadas afetem a percepção do risco soberano, caso escapem das regras fiscais tradicionais.
Apesar das preocupações, a adoção do USD1 coloca o Paquistão no centro da discussão global sobre stablecoins como infraestrutura de pagamentos internacionais. Além disso, essa tendência já ultrapassa o universo das fintechs e começa a alcançar governos que buscam soluções mais eficientes para transações entre países.
O futuro dessa iniciativa dependerá da regulamentação, da execução técnica e do apoio político. Mas o movimento mostra que o Paquistão está disposto a liderar essa nova fase. Além disso, o país agora se torna um dos primeiros casos reais de integração de stablecoins em sistemas nacionais, muito antes de economias maiores assumirem o mesmo risco.

