- Mercado Bitcoin compra a CCTVM do Banco Mercantil e abre caminho para atuar com derivativos e competir diretamente com a B3.
- Nova licença permite ao MB explorar ações e fundos tokenizados, além de ampliar sua presença no mercado de ativos digitais regulados.
- Exchange reforça liderança em tokenização de RWAs, com quase R$ 2 bilhões emitidos e previsão de crescimento de 200% em 2026.
O Mercado Bitcoin (MB) avançou mais um passo em sua estratégia de expansão ao comprar a corretora de câmbio, títulos e valores mobiliários (CCTVM) do Banco Mercantil, movimento que abre caminho para uma atuação mais ampla no mercado tradicional.
A operação, já aprovada pelo Banco Central e prestes a ser oficializada no Diário Oficial da União, marca uma virada importante para a maior exchange de criptomoedas do país.
De acordo com Roberto Dagnoni, presidente do MB, a aquisição reforça a construção de um ecossistema completo de investimentos, capaz de unir o mercado financeiro tradicional e a economia digital. Ele destacou que a integração entre os dois mundos cria novas oportunidades para clientes. Além disso, fortalece a presença da empresa no setor financeiro nacional. Isso ocorre em um período no qual os ativos digitais ganham tração entre investidores mais conservadores.
Com a compra da CCTVM, o MB finalmente se aproxima do bilionário mercado de derivativos, segmento que hoje é dominado pela B3. Vanessa Butalla, vice-presidente de jurídico, compliance e riscos do MB, explicou que a exchange, como corretora de ativos virtuais, não podia operar derivativos. Contudo, com a nova licença, a oferta desses produtos passa a ser tecnicamente possível. Isso abre espaço para que o MB dispute fatias relevantes de um mercado que movimentou cerca de R$ 4 bilhões por dia apenas com futuros de Bitcoin em 2025.
Mercado Bitcoin
O movimento também desperta expectativas sobre a entrada do MB no segmento de ações tokenizadas e cotas de fundos. Apesar de a empresa afirmar que não há planos imediatos para lançar uma plataforma dedicada, Butalla reconheceu que isso deve ocorrer caso a demanda exista. Ela ressaltou que produtos tradicionais podem ser incorporados ao portfólio. Isso ocorrerá conforme o interesse dos usuários evoluir.
Hoje, a B3 permanece como a única entidade autorizada pela CVM a negociar futuros de criptoativos no Brasil. Além dos volumes robustos de Bitcoin, os contratos de Solana movimentaram cerca de R$ 1 bilhão por dia em setembro de 2025. Isso mostra a força dos derivativos em um país que adota rapidamente novas classes de ativos.
Além da disputa com a B3, a aquisição fortalece a posição do MB no mercado de tokenização de ativos reais (RWA), onde já se destaca globalmente. Desde 2021, a plataforma acumula quase R$ 2 bilhões em emissões de crédito privado, segundo dados da RWA.xyz. A demanda crescente fez o número de investidores em Renda Fixa Digital subir 12,5% em 2025. Já as projeções da empresa para 2026 indicam expansão agressiva: crescimento de 200% no volume total tokenizado, superando US$ 56 bilhões no ano.
Enquanto isso, o interesse por RWAs explodiu no Brasil, com mais de R$ 3,1 bilhões negociados. No entanto, a CVM avalia mudanças regulatórias que podem afetar o setor de recebíveis tokenizados. Mesmo assim, o MB segue confiante de que a combinação entre infraestrutura, base de clientes e novas licenças permitirá disputar o investidor da B3 com uma oferta mais diversificada.


