- Hashrate cai e mineradores seguem pressionados por custos elevados
- Preço do hash limita reativação das máquinas mesmo com alta
- Dificuldade e energia reforçam fragilidade operacional da mineração
A taxa de hash do Bitcoin iniciou 2026 em queda, mesmo após a recuperação do preço no mercado à vista. O movimento mostra que os mineradores continuam ajustando suas operações de forma cautelosa, pois a rentabilidade segue pressionada pelo custo da energia e pelo atraso natural dos ajustes de dificuldade. Assim, o setor avança em um ambiente que parece estável por cima, mas permanece frágil na margem.
Embora o Bitcoin tenha subido em janeiro, a rede ainda opera abaixo do pico registrado no final de 2025. Os dados mostram oscilações frequentes acima e abaixo do patamar de 1.000 EH/s, indicando que muitos mineradores continuam alternando suas máquinas entre “ligado” e “desligado”. Essa alternância reforça a pressão financeira sobre os operadores mais sensíveis ao preço do hash diário.

O preço do hash, métrica que determina a receita por unidade de poder computacional, caiu recentemente para US$ 39,53 por PH/s/dia, conforme informou a Luxor. Esse valor permanece muito próximo do ponto de equilíbrio para grande parte das frotas, mesmo com o mercado reagindo positivamente ao movimento do BTC. Essa dinâmica explica por que o hashrate não acompanhou o avanço do preço de forma consistente.
Pressão crescente sobre mineradores em meio a oscilação de energia
A instabilidade do setor também decorre do ambiente energético. Mesmo com novos hardwares como os Antminer S19j Pro e S21 alcançando maior eficiência, os custos continuam altos em diversas regiões. O preço médio industrial da eletricidade nos EUA, citado pela EIA, mostra que grande parte das máquinas opera com margens mínimas, especialmente quando o preço do hash perde força.
Essa tensão se intensifica com políticas locais. No Texas, por exemplo, a lei Bill 6 autoriza a ERCOT a determinar desligamentos compulsórios de grandes consumidores durante emergências. Como o estado concentra parte significativa das operações de mineração, qualquer oscilação regional pode gerar impactos amplos sobre o hashrate global. Além disso, a forte demanda por data centers pressiona ainda mais a capacidade das redes elétricas.
Essa combinação de alta concorrência por energia e baixa previsibilidade operacional ajuda a explicar por que muitos mineradores permanecem offline, mesmo diante de janelas pontuais de alta no preço do Bitcoin.
Ajuste de dificuldade reforça incertezas no curto prazo
A dificuldade da rede também segue determinante para o cenário atual. No início de janeiro, ocorreu um ajuste negativo de 1,20%, reduzindo o indicador para 146,4T. Porém, as projeções apontam para novo aumento na janela de 22 de janeiro, possivelmente para 148,20T. Esse ritmo reforça a sensação de atraso estrutural, os mineradores absorvem semanas de condições desfavoráveis até que o protocolo se recalibre.
O chamado “efeito chicote” aparece com clareza, o hashrate cai quando o preço do hash enfraquece, mas a dificuldade demora a reagir, comprimindo as margens mesmo quando o BTC tenta avançar. O Bitcoin esta negociado em US$ 95.440, mostrando recuperação leve após dias de pressão. Ainda assim, a recente queda semanal para US$ 91.132 e a redução do hashrate médio de 7 dias para 1.024 EH/s reforçam esse quadro de estresse contínuo para os mineradores.

Assim, enquanto o preço do Bitcoin traz algum otimismo, o ambiente operacional permanece adverso para grande parte dos mineradores. Eles seguem navegando entre custos elevados, ajustes lentos e incertezas energéticas, até que o mercado ofereça condições mais favoráveis para reativar as máquinas de forma sustentável.

