- Volumes em mercados de previsão chegaram a quase US$ 6 bilhões em janeiro de 2026.
- Sem KYC, identificar insiders é “quase impossível”, segundo a Messari.
- Mesmo com KYC, abusos não desaparecem, mas o risco aumenta para infratores.
Os mercados de previsão entraram no radar de reguladores após apostas suspeitas ligadas a eventos geopolíticos.
Segundo a Messari, apenas plataformas com KYC conseguem reduzir, de forma prática, o insider trading.
KYC como principal barreira contra abusos
Para Austin Weiler, analista da Messari, o KYC é hoje o mecanismo mais eficaz, ele afirma que plataformas com verificação de identidade podem bloquear usuários sensíveis.
“Para plataformas com KYC, o melhor caminho é restringir o acesso a certos mercados”, disse Weiler
Segundo ele, autoridades estatais podem ser barradas de mercados políticos.
Além disso, o KYC eleva o padrão de fiscalização, portanto, o custo do abuso aumenta, mesmo sem eliminação total do risco.
Entretanto, Weiler reconhece limites claros. Insiders ainda podem repassar informações a terceiros, mesmo assim, o sistema cria obstáculos relevantes.
Por que mercados sem KYC quase não conseguem punir insiders
Nos mercados totalmente onchain, o cenário muda, sem vínculo entre carteira e identidade real, a atribuição se torna frágil.
Segundo Weiler, “a transparência onchain não resolve o problema de atribuição”. Além disso, medidas como limites de aposta são facilmente contornadas.
Por isso, banir autoridades só funciona em sistemas com KYC, sem identidade, não há como provar acesso a informação relevante não pública.
Esse desafio cresce com o mercado, até meados de janeiro de 2026, o volume negociado chegou a US$ 6 bilhões, segundo dados da Dune.

Kalshi, Polymarket e modelos distintos
A Kalshi adota KYC completo e opera sob supervisão da CFTC. Ela exige dados pessoais e, em alguns casos, documentos oficiais.
Já a Polymarket aplica KYC apenas a usuários dos EUA, fora do país, o acesso ocorre sem verificação obrigatória.
Plataformas descentralizadas, como a Opinion, não divulgam exigências de KYC, isso amplia o risco regulatório e reputacional do setor.
Pressão política e possíveis impactos regulatórios
O debate ganhou força após apostas ligadas à Venezuela, um trader anônimo teria transformado US$ 30 mil em mais de US$ 400 mil.
Diante disso, parlamentares dos EUA reagiram. O deputado Ritchie Torres apoia o Public Integrity in Financial Prediction Markets Act of 2026.
A proposta proíbe autoridades de negociar quando possuem informação privilegiada, portanto, o tema deve avançar no Congresso.
No médio prazo, o setor pode enfrentar regras mais duras, além disso, plataformas sem KYC podem perder liquidez institucional.
No fim, o dilema permanece claro, KYC não elimina o insider trading, mas hoje é a única barreira viável, sem ele, a fiscalização tende a falhar.

