- Banco Central do Irã acumulou US$ 507 milhões em USDT, segundo a Elliptic.
- Objetivo teria sido conter a desvalorização do rial e apoiar transações externas.
- Uso de cripto cresceu e o ecossistema iraniano superou US$ 7,8 bilhões em 2025.
O Banco Central do Irã recorreu ao mercado de stablecoins para enfrentar a crise cambial.
Segundo a Elliptic, a autoridade monetária acumulou US$ 507 milhões em USDT, da Tether, para sustentar o rial durante a instabilidade econômica.
Uso de USDT em meio ao colapso do rial
A estratégia começou em um período crítico, em apenas oito meses, o rial perdeu cerca de 50% do valor frente ao dólar. Por isso, o banco central comprou USDT e trocou por riais no mercado, tentando conter a queda da moeda.
“A acumulação de USDT começou em um período de extrema volatilidade econômica”, afirmou a Elliptic.
Além disso, o banco central utilizou criptoativos para operações de mercado aberto, que normalmente ocorrem com reservas em dinheiro.
O banco realizou grande parte das transações pela Nobitex, uma das maiores exchanges do país. Entretanto, após um ataque de segurança em junho de 2025, ele mudou a estratégia e diversificou os fundos.
Mudança de rotas e bloqueios de carteiras
Após o incidente, o banco transferiu os fundos em USDT para um serviço de ponte cross-chain, migrando da rede TRON para Ethereum. Em seguida, ele trocou parte dos ativos e distribuiu fundos entre diferentes blockchains e plataformas.
A Tether manteve o poder de intervenção. Em junho de 2025, cerca de US$ 37 milhões em USDT ligados a carteiras do banco central ficaram congelados. Segundo a Elliptic, o emissor pode bloquear fundos quando necessário.
Criptomoedas ganham espaço em meio a protestos
O uso de criptoativos cresceu rapidamente no Irã. A Chainalysis aponta que o ecossistema local movimentou mais de US$ 7,8 bilhões em 2025. Muitos cidadãos adotaram Bitcoin para se proteger da inflação e das restrições financeiras.
Além disso, protestos internos e cortes de internet reforçaram o apelo das criptomoedas, que se tornaram uma alternativa prática e funcional ao sistema financeiro tradicional.
Portanto, este caso mostra que stablecoins desempenham papel relevante em políticas monetárias não convencionais, mas também expõem limites e riscos, especialmente devido ao controle exercido por emissores centralizados.

