- Bitcoin caiu abaixo de US$ 90 mil e segue sem força para romper resistências.
- Ouro chegou a US$ 4.967 a onça, perto do nível psicológico de US$ 5 mil.
- Capriole Investments projeta ouro entre US$ 12 mil e US$ 23 mil nos próximos 3 a 8 anos.
O Bitcoin iniciou a sexta-feira em queda, permanecendo abaixo de US$ 90 mil, enquanto ouro e prata renovaram máximas históricas.
A disparidade reforçou a migração de capital para ativos considerados porto seguro e enfraqueceu, no curto prazo, as teses mais otimistas para o BTC.
Bitcoin segue lateralizado e perde protagonismo no curto prazo
Dados do TradingView mostram que o Bitcoin mantém comportamento lateral, sem romper resistências relevantes. Enquanto isso, o ouro avançou e ficou a menos de 2% dos US$ 5 mil por onça.

Além disso, analistas destacam níveis técnicos decisivos. O trader Crypto Tony afirmou que o BTC pode buscar US$ 93.500 para fechar um gap da CME. Segundo ele, esse movimento seria necessário antes de qualquer retomada mais forte.
“Meu cenário segue prevendo queda para a região entre US$ 75 mil e US$ 70 mil, mas antes podemos revisitar os US$ 100 mil”, escreveu Crypto Tony na rede X.
Entretanto, outros analistas adotam cautela, Michaël van de Poppe apontou US$ 91 mil como nível-chave. Segundo ele, a perda consistente de US$ 86.800 pode levar o Bitcoin a testar mínimas recentes.
Por isso, o sentimento de curto prazo segue frágil. As liquidações se concentram entre US$ 88.300 e US$ 90.100, o que aumenta a volatilidade durante a sessão americana.
Ouro ganha força com demanda recorde e cenário macro favorável
Enquanto o Bitcoin hesita, o ouro avança com apoio estrutural. Bancos centrais seguem comprando o metal em ritmo histórico, com destaque para a China, que ampliou suas reservas de forma agressiva.
Charles Edwards, fundador da Capriole Investments, destacou o impacto da expansão monetária global. Segundo ele, a inflação anual de 10,5% na oferta de moeda pressiona os preços dos ativos reais.
“Se repetirmos grandes ciclos do século XX, o ouro pode atingir entre US$ 12 mil e US$ 23 mil nos próximos 3 a 8 anos”, escreveu Edwards em análise publicada no Substack.
Além disso, o RSI mensal do ouro atingiu níveis de sobrecompra vistos pela última vez na década de 1970. Mesmo assim, o fluxo comprador permanece consistente.

Impactos para o mercado cripto e visão de longo prazo
A força do ouro reacende comparações com o Bitcoin como reserva de valor. No curto prazo, o metal precioso domina o fluxo defensivo, entretanto, o histórico mostra que períodos de forte alta do ouro já antecederam recuperações relevantes do BTC.
Portanto, a divergência atual não invalida o papel do Bitcoin no longo prazo. Porém, indica um momento de maior cautela e seletividade por parte dos investidores.
A leitura macro segue clara: incerteza global, expansão monetária e busca por proteção, nesse ambiente, ouro lidera agora. O Bitcoin, por sua vez, aguarda um gatilho para retomar protagonismo.


