- Sinal técnico reaparece, mas cenário macro desafia nova alta
- Liquidez fraca e ETFs negativos reduzem otimismo do mercado
- Resistências fortes colocam em dúvida projeção de +130% no BTC
Um sinal técnico raro que marcou o fundo do Bitcoin em 2023 voltou a aparecer nesta semana, reacendendo um debate intenso entre analistas e investidores. Enquanto parte do mercado interpreta o movimento como um possível indicativo de recuperação, outros adotam postura mais cautelosa.
Isso porque o cenário econômico de 2026 apresenta condições muito diferentes do ciclo anterior, com fatores macro pressionando o mercado global. Diante desse contexto, investidores tentam avaliar se o alerta aponta força real ou apenas uma ilusão estatística.
Indicadores repetem padrão de 2023, mas ambiente mudou
O Bitcoin exibiu novamente o mesmo sinal que antecedeu uma alta de 130% em 2024, e isso gerou entusiasmo imediato. Mesmo assim, vários analistas lembram que o cenário atual envolve liquidez menor, juros mais altos e comportamento mais cauteloso dos investidores institucionais.
A Swissblock destacou que o BTC completou 25 dias consecutivos na zona de “risco extremamente alto”, o período mais longo já registrado. Em 2023, o topo havia sido de 23 dias, e a reversão aconteceu logo em seguida. Assim, muitos enxergam um possível ponto de inflexão. No entanto, o próprio relatório da empresa reforça que a leitura depende de contexto macroeconômico, algo mais desfavorável hoje do que há dois anos.

O analista Michaël van de Poppe também observou que o comportamento do BTC diante da oferta em lucro e prejuízo se aproxima de níveis que sinalizaram consolidação no passado. Em 2023, essa transição marcou o início de um forte movimento de alta. Porém, agora, o mercado opera sob pressões diferentes e com menor apetite de risco.

Fluxos de ETFs e inflação criam barreiras à alta
A RugaResearch apontou que a demanda de 30 dias ainda oscila entre positiva e negativa. A pressão vendedora diminuiu, mas a força compradora não se consolidou. Esse padrão sugere um mercado sem direção clara, algo que reduz a convicção dos traders.
O boletim da Ecoinometrics reforçou que quedas profundas, como a atual, raramente se resolvem de forma rápida. A única exceção recente ocorreu em 2020, durante a forte intervenção monetária causada pela COVID. Hoje, não existe estímulo semelhante.

Os dados de ETFs também contam outra história. Desde agosto, os ETFs de ouro superam o Bitcoin em entradas líquidas. No mesmo período, os fundos de BTC registraram uma média móvel negativa de 90 dias, somando -US$ 2,06 bilhões. Esse fluxo mostra que a preferência dos investidores migrou para ativos considerados mais defensivos.
Enquanto isso, os dados de inflação reforçam o alerta. O PCE geral está perto de 2,9%, e o núcleo de serviços permanece acima de 3,4%. Como o Federal Reserve tem o PCE como alvo, a ausência de queda consistente impede qualquer alívio monetário. Sem novos estímulos, a liquidez continua limitada.
Willy Woo, sócio da CMCC Crest, afirmou que recuperações para a faixa entre US$ 70.000 e US$ 80.000 devem encontrar forte resistência. Para ele, a liquidez enfraquecida nos mercados à vista e futuros cria barreiras claras. Woo também relembra suportes importantes: US$ 45.000, US$ 30.000 e US$ 16.000, todos alinhados a estruturas anteriores de mercado de baixa.

