- Butão reduz reservas, mas mantém relevância global
- Movimentações indicam possível realização de lucros
- Estratégia verde com Bitcoin continua ativa
O Reino do Butão voltou a movimentar parte relevante de suas reservas em criptomoedas e reacendeu o debate sobre sua estratégia fiscal. Na quinta-feira, carteiras vinculadas ao governo transferiram cerca de 319 Bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 22,68 milhões.
A operação amplia uma sequência de movimentações iniciada no fim de 2024. Desde então, o país já transferiu mais de 9.000 BTC, reduzindo significativamente sua posição acumulada ao longo dos últimos anos.
Os dados foram identificados por plataformas de análise on-chain, que monitoram endereços associados ao governo e à estatal Druk Holding & Investment. As transações seguem um padrão consistente de saídas graduais.

Ao mesmo tempo, especialistas observam que esse comportamento costuma indicar realização de lucros ou reestruturação de reservas. Ainda assim, o governo não comentou oficialmente as movimentações recentes.
Reservas de Bitcoin caem 70% e mudam o posicionamento do país
O impacto das transferências já aparece nos números. As reservas do Butão caíram de cerca de 13.000 BTC no fim de 2024 para aproximadamente 3.654 BTC em abril de 2026.
Essa redução representa uma queda de cerca de 70% nas reservas soberanas em Bitcoin, alterando de forma relevante o peso do ativo na estratégia econômica do país.
Apesar disso, o Butão ainda mantém posição de destaque. Atualmente, figura entre os maiores detentores estatais de Bitcoin, atrás apenas de países como Estados Unidos e Reino Unido.
Além disso, a sequência de vendas não ocorreu de forma abrupta. Pelo contrário, os dados mostram um processo contínuo, com destaque para março, quando o país movimentou cerca de 1.667 BTC, equivalentes a quase US$ 120 milhões.
Diante desse cenário, analistas avaliam que o país pode estar adotando uma estratégia mais pragmática, equilibrando ganhos acumulados com necessidades fiscais e investimentos internos.
Estratégia com mineração e energia limpa segue como base econômica
Mesmo com a redução das reservas, o Butão continua apostando no Bitcoin como parte de sua política econômica. O país construiu sua posição principalmente por meio da mineração estatal alimentada por energia hidrelétrica.
Essa abordagem permite transformar excedentes de eletricidade em ativos digitais. Dessa forma, o país converte energia limpa em uma nova fonte de receita internacional.
Além disso, autoridades locais já classificaram essa estratégia como uma “economia verde do Bitcoin”, alinhada a metas ambientais e à diversificação econômica.
O plano vai além da mineração. Em dezembro de 2025, o Butão anunciou um compromisso de investir até 10.000 BTC em projetos ligados à chamada Cidade da Atenção Plena de Gelephu.
A proposta inclui o uso do Bitcoin como garantia financeira, além da aplicação em instrumentos de baixo risco e investimentos de longo prazo.
Com isso, o país tenta posicionar o ativo digital não apenas como reserva, mas como base para um novo polo econômico sustentável.
Enquanto isso, o mercado segue atento. Afinal, a continuidade dessas movimentações pode influenciar tanto o sentimento global quanto a percepção sobre estratégias soberanas envolvendo criptomoedas.

