- Butão, mega baleia cripto, reduz reservas e vende cerca de 70% do Bitcoin
- Movimentações superam US$ 200 milhões em 2026
- País mantém estratégia diferente e preserva posição em Ethereum
Uma das maiores detentoras institucionais de Bitcoin no mundo iniciou um forte movimento de venda e já reduziu cerca de 70% de suas reservas da criptomoeda. Os dados mais recentes mostram que o Reino do Butão, por meio de entidades estatais, vem acelerando o desinvestimento desde o fim de 2024.
Registros on-chain indicam que as reservas caíram de aproximadamente 13.000 BTC em 2024 para 3.954 BTC em 2026, evidenciando uma mudança relevante na estratégia do país. O movimento coloca o Butão entre os casos mais expressivos de redução de exposição ao Bitcoin nos últimos anos.
Além disso, apenas no primeiro trimestre de 2026, o país movimentou entre US$ 215 milhões e US$ 216 milhões em BTC, reforçando o ritmo acelerado de vendas.
Esse comportamento não ocorreu de forma isolada. No início de março, as reservas já haviam recuado para cerca de 5.425 BTC, o que representava uma queda de aproximadamente 60%. Desde então, novas transferências ampliaram ainda mais essa redução.
Estratégia indica busca por liquidez e mudança de postura

Apesar da magnitude das movimentações, o governo do Butão não divulgou comunicados oficiais detalhando as vendas realizadas em 2026. Ainda assim, a transparência da blockchain permitiu identificar as transações.
Os dados sugerem que o país tem realizado vendas graduais e estruturadas, possivelmente por meio de operações de balcão (OTC) ou estratégias internas de gestão de tesouraria.
Entre os fatores que podem explicar essa decisão estão a necessidade de liquidez, o financiamento de projetos domésticos e o aumento dos custos operacionais após o halving do Bitcoin em 2024.
Outro ponto relevante envolve a mineração. O país não registra receitas significativas com a atividade há mais de um ano, mesmo tendo histórico de uso de energia hidrelétrica para esse fim.
Esse cenário indica que a produção local pode ter diminuído ou até mesmo sido interrompida, reduzindo uma fonte importante de entrada de novos bitcoins.
Ethereum segue estratégia diferente dentro da carteira
Enquanto o Bitcoin sofre liquidações expressivas, o mesmo não ocorre com outros ativos digitais do país. O Butão mantém suas reservas de Ethereum (ETH) praticamente inalteradas em 2026.
De acordo com os dados disponíveis, as carteiras ligadas ao governo concentram cerca de 29.791 ETH, avaliados entre US$ 66 mil e US$ 70 mil por unidade.
Diferentemente do Bitcoin, o Ethereum não aparece como um ativo de liquidação. O país utiliza o token de forma mais estratégica, com foco em infraestrutura tecnológica e projetos nacionais.
Essa abordagem revela uma estratégia dual. De um lado, o Butão vende Bitcoin para gerar liquidez. De outro, mantém Ethereum como um ativo de longo prazo ligado à inovação.
Historicamente, o país iniciou a acumulação de Bitcoin em 2019 e atingiu seu pico em 2024, quando chegou a ocupar a quarta posição global entre governos com maior volume da criptomoeda.
Assim, com a redução recente, o Butão caiu para a sétima colocação nesse ranking, refletindo o impacto direto das vendas.

