- Ataque na Kelp DAO desencadeia crise de liquidez e trava saques na Aave
- Usuários entram em pânico e retiram US$ 6,2 bilhões em poucas horas
- Falha estrutural expõe riscos do DeFi e provoca efeito dominó no mercado
A exploração de uma vulnerabilidade ligada à Kelp DAO desencadeou uma reação em cadeia no mercado de finanças descentralizadas e colocou a Aave no centro de uma crise de liquidez. O episódio começou após um ataque que drenou US$ 291 milhões em criptomoedas, gerando instabilidade imediata nos protocolos conectados.
Logo após o incidente, usuários começaram a relatar dificuldades para sacar fundos na Aave. Ao mesmo tempo, a confiança no sistema diminuiu rapidamente. Esse movimento acelerou retiradas em massa e pressionou ainda mais a liquidez disponível.
A situação piorou quando a ponte responsável por transferir o token rsETH entre redes foi explorada. Em resposta, a Aave decidiu congelar mercados ligados ao ativo, tentando conter danos maiores e evitar um colapso completo.
A própria Kelp DAO confirmou que suspendeu os contratos do rsETH em várias redes. A equipe afirmou que iniciou uma investigação interna para entender o comportamento anômalo e tentar mitigar os impactos.
Exploração técnica gerou efeito dominó no Defi
Dados on-chain mostraram que a taxa de utilização de um dos principais pools da Aave atingiu 100%, um nível crítico. Isso indicou que praticamente não havia liquidez disponível para saques naquele momento.
Segundo a empresa de segurança PeckShield, uma transação suspeita movimentou 116.500 rETH, equivalentes aos US$ 291 milhões drenados. Esse movimento ocorreu pouco antes do congelamento dos mercados.
De acordo com Francesco Andreoli, da Consensys, os invasores não retiraram diretamente os ativos. Em vez disso, usaram o sistema para contrair empréstimos, criando uma “dívida incobrável massiva” dentro da Aave.
Ao mesmo tempo, usuários começaram a tomar empréstimos em stablecoins usando seus depósitos como garantia. Essa estratégia aumentou ainda mais a pressão sobre a liquidez do protocolo.
Para monetsupply.eth, estrategista do projeto Spark, esse comportamento revela claros efeitos secundários negativos. Ele destacou que o sistema entrou em um ciclo de estresse difícil de conter.
Saques atingem US$ 6,2 bilhões e ampliam contágio
Com o avanço da crise, o pânico se espalhou rapidamente. Usuários correram para retirar seus fundos não apenas da Aave, mas também de outros protocolos DeFi.
Segundo 0xngmi, cofundador da DefiLlama, os saques somaram impressionantes US$ 6,2 bilhões apenas na Aave até o início do domingo. Esse volume reforça o nível de preocupação do mercado.
O impacto também atingiu os preços. O token da Aave caiu para US$ 90,13, registrando uma queda de 3% em 24 horas. Já o Ethereum recuou para cerca de US$ 2.317, refletindo o nervosismo geral.
A pesquisadora Stacy Muur apontou que a falha pode estar ligada a um ponto único de vulnerabilidade. Segundo ela, uma “mensagem fantasma” enganou o sistema da ponte, liberando tokens sem contrapartida.
Enquanto isso, o consultor jurídico Salman Banei afirmou que o caso fortalece críticas ao modelo DeFi. Para ele, o episódio fornece argumentos relevantes contra sistemas totalmente baseados em código.
Em meio ao caos, o empresário Justin Sun tentou intermediar uma solução. Ele sugeriu negociação direta com os atacantes e questionou o custo de manter o ataque ativo.
O episódio reforça um alerta importante, mesmo protocolos consolidados podem enfrentar riscos estruturais. E, em momentos de crise, a liquidez pode desaparecer mais rápido do que o esperado.


