- ETFs de Bitcoin somam US$ 91,7 bilhões sob gestão nos EUA.
- Coinbase ainda concentra mais de 80% da custódia do setor.
- Grayscale escolheu Anchorage e reacendeu debate sobre redundância.
A decisão da Grayscale de substituir a Coinbase pela Anchorage em um novo pedido de ETF parece pequena, mas pode indicar uma mudança estrutural.
Com mais de US$ 90 bilhões em ETFs spot de Bitcoin, Wall Street começa a discutir não apenas acesso ao ativo, mas a resiliência da infraestrutura que sustenta esse mercado.
Dependência da Coinbase vira tema central no mercado institucional
Desde a aprovação dos ETFs spot em janeiro de 2024, a Coinbase virou o principal nome por trás da custódia institucional de Bitcoin.
Hoje, cerca de US$ 77 bilhões em ativos, ou 84% do mercado, passam por estruturas ligadas à empresa.
Essa concentração não surgiu por acaso, a Coinbase oferecia histórico regulatório, operação institucional e familiaridade para gestores, auditores e reguladores. Por isso, tornou-se o padrão do setor.
Esse efeito se reforçou com novos emissores, a Morgan Stanley, por exemplo, adotou Coinbase Custody e BNY em sua estrutura. Cada novo lançamento consolidou a mesma espinha dorsal operacional.
Entretanto, o crescimento do mercado elevou outra preocupação: o risco de dependência excessiva.
Problemas operacionais, pressões regulatórias ou falhas de liquidação em um único custodiante poderiam gerar impacto sistêmico.
Entrada da Anchorage pode abrir novo mapa de custódia
A mudança da Grayscale coloca a Anchorage no centro desse debate, o banco digital foi o primeiro banco cripto nativo com carta federal nos Estados Unidos e já atua com grandes instituições.
Além disso, a gestora já havia usado a Anchorage como custodiante secundária, a BlackRock também integrou a empresa em 2025 para apoiar seus ETFs spot.
Por isso, o movimento pode sinalizar mais do que uma troca pontual, pode representar o início de uma diversificação gradual entre emissores.
O contexto importa, o novo produto da Grayscale envolve o ecossistema Hyperliquid, visto como mais sensível do ponto de vista regulatório. Nesse cenário, recorrer a um custodiante com perfil bancário federalizado parece estratégico.
Wall Street começa a olhar além do primeiro modelo que funcionou
O mercado já provou que investidores querem exposição regulada ao Bitcoin, agora, a discussão muda para robustez operacional.
Além disso, diversificar custodiante não significa enfraquecer a Coinbase. Significa reduzir pontos únicos de falha em um setor que cresce rapidamente.
Se esse movimento ganhar escala, Wall Street pode estar desenhando um mapa pós-Coinbase para a custódia cripto.
Primeiro veio o acesso, depois, a legitimidade, agora, o foco parece ser resiliência. E esse pode ser o próximo capítulo dos ETFs de Bitcoin.

