- Investidor processou Coinbase por reter fundos roubados em 2024
- Golpe de phishing causou perda de US$ 55 milhões em DAI
- Exchange exige ordem judicial para liberar ativos identificados
Um investidor de criptomoedas entrou com processo contra a Coinbase em um tribunal federal de São Francisco, acusando a exchange americana de se recusar a devolver US$ 55 milhões roubados em um golpe de phishing ocorrido em agosto de 2024.
O processo, protocolado segunda-feira (5), revela que o investidor, baseado em Porto Rico, perdeu os fundos após cair em um golpe que utilizava uma página falsa do DeFi Saver, ferramenta de gerenciamento de criptomoedas. Ao tentar fazer login no que acreditava ser o site oficial, a vítima acabou entregando o controle total de sua carteira aos criminosos.
Os hackers utilizaram uma plataforma conhecida como “Inferno Drainer” para criar a página fraudulenta. A URL falsa terminava em “.app” em vez do domínio correto “DefiSaver.com”, detalhe que passou despercebido pela vítima. Imediatamente após obter acesso, os criminosos transferiram mais de 55 milhões de DAI, uma stablecoin pareada ao dólar na rede Ethereum, para outras carteiras e iniciaram o processo de lavagem através de serviços de mixagem.
Rastreamento identifica fundos na Coinbase
Após o golpe, o investidor contratou múltiplas empresas especializadas em investigação blockchain para rastrear os ativos roubados. O caso foi inicialmente identificado pelo investigador ZachXBT, conhecido por expor fraudes no mercado cripto.
As investigações conseguiram rastrear parte dos fundos até uma conta na Coinbase. Em dezembro de 2024, a exchange confirmou ter identificado e congelado os ativos suspeitos, informando que uma investigação interna seria conduzida. No entanto, segundo o processo, a empresa se recusa a liberar os valores sem uma ordem judicial específica.
A situação expõe uma questão complexa enfrentada por exchanges centralizadas. Embora a Coinbase tenha agido corretamente ao congelar fundos suspeitos, a demora de mais de um ano e meio para resolver o caso gera frustração para vítimas que buscam recuperar seus ativos. A exchange não comentou o caso até o momento.
Golpes de phishing crescem no mercado DeFi
O caso ilustra a sofisticação crescente dos golpes no ecossistema de finanças descentralizadas. Criminosos exploram a complexidade das interfaces DeFi e a falta de familiaridade de muitos usuários com protocolos de segurança básicos. A criação de sites falsos idênticos aos originais se tornou uma das principais táticas utilizadas.
Para investidores brasileiros que operam em plataformas DeFi, o caso serve como alerta. A verificação cuidadosa de URLs, o uso de bookmarks para sites frequentes e a implementação de medidas de segurança adicionais como carteiras hardware são essenciais. Diferentemente de transações bancárias tradicionais, operações em blockchain são irreversíveis, tornando a prevenção a única defesa efetiva.
O mercado brasileiro de criptomoedas também enfrenta desafios similares. Dados da Federação Brasileira de Bancos mostram que golpes envolvendo ativos digitais cresceram 300% em 2024, com perdas estimadas em R$ 2,5 bilhões. A maioria dos casos envolve páginas falsas de exchanges ou protocolos DeFi conhecidos.
Implicações legais para exchanges
O processo contra a Coinbase estabelece um precedente importante sobre a responsabilidade de exchanges na recuperação de fundos roubados. Enquanto as plataformas argumentam que precisam seguir procedimentos rigorosos para evitar liberações indevidas, vítimas alegam que a burocracia excessiva as prejudica.
No Brasil, a regulamentação do Banco Central para exchanges, que entrará em vigor completamente em 2026, estabelece protocolos específicos para casos de fraude. As empresas serão obrigadas a colaborar com investigações e facilitar a recuperação de ativos quando houver evidências claras de crime. A movimentação de grandes valores por baleias cripto também passará a ter monitoramento mais rigoroso.
O desfecho deste caso pode influenciar como outras exchanges lidam com situações similares. Se o tribunal decidir a favor do investidor, pode estabelecer que exchanges devem agir mais rapidamente na devolução de fundos comprovadamente roubados, desde que a vítima apresente evidências suficientes.

