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Início > Regulação > Lagarde barra stablecoins em euro e cita risco à política do BCE
Regulação

Lagarde barra stablecoins em euro e cita risco à política do BCE

Por Maicom Henrique
Atualizado em: 09/05/2026 15:41
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  • Lagarde classifica stablecoins em euro como ameaça à estabilidade financeira do bloco
  • Mercado global de stablecoins saltou de US$ 10 bilhões para US$ 300 bilhões em seis anos
  • Projeto Pontes do BCE estreia em setembro de 2026 e mira liquidação em moeda do banco central

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, fechou a porta para o avanço de stablecoins lastreadas em euro e classificou o segmento como ameaça direta à estabilidade financeira do bloco. O posicionamento foi apresentado em 8 de maio de 2026, no Latam Economic Forum, organizado pelo Banco de España, em Roda de Bará, na Espanha.

O discurso, intitulado Stablecoins e o futuro do dinheiro, separando funções de instrumentos, chega num momento em que o mercado global desses ativos cresceu de menos de US$ 10 bilhões seis anos atrás para mais de US$ 300 bilhões hoje. Quase 98% dessa capitalização está atrelada ao dólar concentração que Lagarde tratou como sintoma, não solução.

O argumento da estabilidade financeira

O Lagarde resgatou o caso mais sensível da indústria para sustentar a tese. Quando o Silicon Valley Bank (SVB) quebrou, em março de 2023, a Circle revelou que mantinha US$ 3,3 bilhões das reservas do USDC na instituição. Naquela janela, a stablecoin chegou a ser negociada a US$ 0,877, mais de 12 centavos abaixo da paridade prometida com o dólar.

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“Os custos superam os ganhos de curto prazo em condições de financiamento e alcance internacional que stablecoins denominadas em euro poderiam oferecer”, afirmou.

Para a presidente do BCE, esses ativos são, na prática, passivos privados cujo lastro pode ser pressionado de uma hora para a outra.

O segundo flanco é a transmissão da política monetária. Na zona do euro, os bancos comerciais ainda são o principal canal pelo qual decisões de juros chegam a famílias e empresas. Se depósitos de varejo migrarem para stablecoins não bancárias e voltarem ao sistema como funding atacadista mais caro, esse canal estreita. Um working paper do próprio BCE, publicado em março de 2026, calcula que substituição em larga escala de depósitos enfraqueceria o crédito bancário efeito mais agudo na Europa do que nos EUA.

Divisão interna e rota do BCE

A posição contraria diretamente o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, também membro do Conselho do BCE. Em fevereiro de 2026, na recepção da AmCham Germany, Nagel defendeu que stablecoins em euro têm mérito para pagamentos transfronteiriços de baixo custo. A divergência expõe um debate em aberto sobre como reagir ao que Lagarde batizou de “dolarização digital”.

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Em vez de copiar Washington, Bruxelas aposta em infraestrutura própria. O projeto Pontes, previsto para setembro de 2026, conectará plataformas de DLT ao TARGET e liquidará transações tokenizadas em moeda do BCE. Já o roadmap Appia, divulgado em março, traça o caminho até um ecossistema financeiro tokenizado totalmente interoperável até 2028.

O que muda para o investidor brasileiro

O recado tem efeitos para além da Europa. O GENIUS Act, em tramitação no Congresso dos EUA, trata a expansão de stablecoins como instrumento para sustentar a hegemonia do dólar e a demanda por Treasuries. Com o BCE recusando seguir esse caminho, consolida-se um quadro em que cripto-dólares como USDT e USDC ganham ainda mais espaço inclusive no Brasil, onde já dominam o volume cripto reportado pela Receita Federal.

Para o investidor doméstico, a leitura prática é dupla. De um lado, bancos e fintechs europeus que vinham preparando produtos sob o MiCAR tendem a recuar diante da postura do BCE, enfraquecendo a competição contra emissores americanos. De outro, a tendência reforça o ambiente regulatório que o Banco Central brasileiro tem desenhado, com restrições a stablecoins em carteiras de autocustódia e foco no Drex como trilho oficial. Esse alinhamento europeu-brasileiro em torno de moeda digital de banco central pressiona emissores privados a operar sob regras mais duras nos dois mercados.

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Em paralelo, o ciclo regulatório segue tenso para os emissores. A Tether congelou US$ 515 milhões em USDT em apenas 30 dias, enquanto a Anchorage Digital revelou fila de 20 bancos interessados em lançar suas próprias stablecoins nos EUA — tudo sob escrutínio crescente, como mostra a cobrança da senadora Elizabeth Warren à Meta.

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TagsStablecoinStablecoinsUSDT
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Maicom Henrique
PorMaicom Henrique
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