- Goldman Sachs zerou exposição direta a ETFs de XRP e Solana no 1º trimestre
- Banco reduziu posição em ETFs de Ethereum em quase 70%, restando US$ 114 milhões
- Bitcoin segue dominando alocação cripto institucional com US$ 715 mi no IBIT e FBTC
O Goldman Sachs reorganizou de forma agressiva sua exposição institucional a criptoativos no primeiro trimestre de 2026. O banco zerou completamente as posições em ETFs de XRP e Solana, cortou em quase 70% a fatia em fundos de Ethereum e manteve o Bitcoin como concentração quase exclusiva da carteira cripto regulamentada.
Os dados saíram do mais recente formulário 13F entregue à SEC, documento obrigatório para gestoras com mais de US$ 100 milhões sob administração. A foto retratada vale até 31 de março de 2026.
Saída total de XRP e Solana
No trimestre anterior, o Goldman aparecia com cerca de US$ 154 milhões em ETFs ligados ao XRP e mais de US$ 100 milhões em fundos de Solana de emissores como Grayscale, Fidelity e Bitwise. Os dois blocos desapareceram do relatório atual.
O movimento, porém, exige leitura cuidadosa. O 13F mostra apenas posições compradas longas e divulgadas em data de corte. Não revela hedge, short, derivativos balcão, mandatos de clientes nem rebalanceamentos feitos depois de 31 de março. Em outras palavras: o banco pode ter migrado a exposição para instrumentos não reportáveis, e não necessariamente virou bearish em altcoins.
Ainda assim, o sinal é relevante. Mesas institucionais costumam encolher fundos de altcoins de maior volatilidade quando o ambiente macro aperta — e o trimestre foi marcado por liquidações pesadas no setor. A tese altista do XRP ligada ao avanço do CLARITY Act no Senado dos EUA, por exemplo, ainda não foi suficiente para segurar grandes alocadores.
Ethereum perde 70% da fatia
Em Ethereum, o corte foi cirúrgico. O Goldman reduziu em quase 70% a posição no iShares Ethereum ETF (ETHA), da BlackRock, restando algo perto de US$ 114 milhões em exposição declarada ao ativo.
O movimento espelha o que outros gestores tradicionais têm feito. Recentemente, Harvard também zerou a posição em ETH e cortou parte do IBIT, indicando que a leitura institucional sobre o segundo maior criptoativo segue cautelosa, mesmo com tesourarias corporativas seguindo a ponta contrária e acumulando o ativo.
O contraste com o Bitcoin é o ponto central do filing. O Goldman ainda carrega aproximadamente US$ 690 milhões no IBIT, da BlackRock, e mais US$ 25 milhões no FBTC, da Fidelity. Os dois fundos foram aparados em cerca de 10% — proporção muito menor que os cortes feitos nas demais redes.
Bitcoin domina a mesa do banco
Somadas, as posições em Bitcoin representam mais de US$ 715 milhões, contra cerca de US$ 114 milhões em Ethereum e zero em XRP e Solana. A mensagem do banco é clara: dentro de cripto, Bitcoin segue como ativo institucional padrão e o resto vira aposta tática.
A redução das altcoins acontece em meio à queda do mercado. O BTC opera ao redor de US$ 77.583, com baixa de 5% apenas na semana, segundo o filing. O movimento confirma o cenário descrito no recente quadro de perda dos US$ 77 mil com liquidações de US$ 672 milhões.
Rotação para empresas cripto
O 13F mostra ainda um deslocamento dentro do setor. O Goldman aumentou participação em ações de Circle, Galaxy Digital e Coinbase, expondo-se ao ecossistema via equity em vez de fundos de spot. Na outra ponta, reduziu posições em mineradoras como Riot Platforms, IREN e Bit Digital, além da Strategy, holding de Michael Saylor que concentra a maior tesouraria corporativa de BTC do planeta.
Para o investidor brasileiro, a leitura prática passa pela B3. Cotas de IBIT e FBTC são acessíveis localmente via BDRs e ETFs listados, e o fluxo de gigantes como Goldman e BlackRock funciona como termômetro para a demanda institucional global — variável que tende a se transmitir aos preços negociados em corretoras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance. A informação completa pode ser conferida no arquivo da SEC.