- Uniswap ativa taxa de protocolo e queima de UNI em BNB Chain, Polygon e Celo
- Cobrança equivale a 1/5 da taxa do pool e atinge 13 redes integradas
- Tokens coletados serão enviados ao endereço 0xdead após bridge para Ethereum
A Uniswap aprovou em sua governança a expansão do sistema de taxa de protocolo e queima de tokens UNI para três novas redes. A proposta, publicada em 16 de maio, ativa a cobrança em BNB Chain, Polygon e Celo, levando para 13 o total de blockchains que repassam parte das fees diretamente ao token nativo do maior protocolo de troca descentralizada do mundo.
O movimento é parte de um cronograma que começou na mainnet do Ethereum no fim de dezembro de 2025. Desde então, o mecanismo já entrou em operação em nove redes adicionais, incluindo Arbitrum, Base, OP Mainnet, Soneium, X Layer, Worldchain e Zora. As três novas chains escolhidas estão entre as mais ativas em volume de DeFi fora do ecossistema Ethereum puro.
Como funciona a cobrança
A taxa de protocolo nas novas redes ficou definida em 1/5 da fee do pool. Na prática, um pool que cobra 0,30% por swap passa a destinar 0,06% ao protocolo e 0,24% aos provedores de liquidez. A proporção é a mesma já aplicada nas demais chains integradas, o que mantém previsibilidade para LPs que operam em várias redes simultaneamente.
O fluxo do dinheiro segue uma arquitetura específica. As fees vão parar em estruturas chamadas TokenJars, instaladas em cada blockchain. De lá, os UNI coletados atravessam pontes até a mainnet do Ethereum e são enviados ao endereço 0xdead, conhecido por queimar tokens de forma permanente. O efeito desejado é reduzir a oferta circulante de UNI à medida que o volume nas DEXs cresce.
A entrada da Celo no programa, vale registrar, é uma correção. A proposta de governança nº 94, anterior, trazia um erro de configuração que travou a ativação na rede. O novo texto conserta a falha e, no mesmo pacote, monta a infraestrutura de TokenJar na BNB Chain e na Polygon.
Governança em modo rápido
A proposta pulou a etapa tradicional de Request for Comment. Sob o framework batizado de UNIfication, mudanças desse tipo qualificam para um rito acelerado, cinco dias de votação no Snapshot seguidos pelo voto on-chain. Sem fase prolongada de debate. A adesão da comunidade durante o Snapshot foi descrita como majoritariamente favorável.
O ritmo da governança contrasta com o histórico do próprio protocolo. Em 2024, o famoso “fee switch” travou por meses em discussões sobre estrutura jurídica e impacto fiscal nos holders. Agora, com a infraestrutura testada em dez redes, o processo virou quase rotina.
Impacto para investidores brasileiros
Para o trader brasileiro, a notícia tem dois lados. O primeiro é direto, quem provê liquidez na Uniswap em BNB Chain ou Polygon duas redes populares no Brasil pelo custo baixo de gás passa a embolsar uma fatia menor das fees. A diferença parece pequena em cada swap, mas se acumula em pools de alto volume.
O segundo lado é estrutural. O UNI ganha um mecanismo deflacionário multichain semelhante ao que o BNB pratica há anos com seus burns trimestrais. Em tese, isso pode dar suporte ao token no longo prazo, embora o impacto real dependa do volume negociado nas chains adicionadas. Polygon, em particular, vem perdendo TVL ao longo de 2025, o que limita o efeito de curto prazo.
Há ainda um vetor de risco que merece atenção. A arquitetura depende de bridges entre as redes secundárias e o Ethereum para consolidar a queima. Exploits em pontes estão entre os ataques mais caros da história do DeFi, com perdas que somam bilhões em incidentes como Ronin, Wormhole e Nomad. A arquitetura da Uniswap funciona sem incidentes nas outras dez redes, mas cada nova integração amplia a superfície de ataque.
Quem opera na Polygon em protocolos DeFi precisa pesar esse risco contra o benefício de continuar provendo liquidez. Detalhes técnicos da implementação estão no fórum oficial de governança da Uniswap, onde a proposta segue para a fase on-chain.