ETFs de Bitcoin e Ethereum perdem US$ 112 mi; HYPE soma 8º dia de entrada

  • ETFs de Bitcoin e Ethereum somam US$ 112 milhões em saídas na segunda-feira
  • Fundos de Hyperliquid acumulam oitavo dia consecutivo de entrada líquida
  • HYPE renova máxima histórica em US$ 64,21 e sobe 140% no ano

Os ETFs de bitcoin e ethereum negociados nos Estados Unidos voltaram a sangrar capital na segunda-feira, enquanto produtos atrelados à Hyperliquid emendaram a oitava sessão seguida de captação líquida. O contraste expõe uma fratura no apetite institucional: os fundos consagrados perdem investidores em meio à aversão a risco, ao passo que veículos ligados a infraestruturas mais novas seguem atraindo dinheiro novo.

Segundo dados da SoSoValue, os ETFs spot de Bitcoin tiveram saída líquida de US$ 105,2 milhões, enquanto os fundos de Ethereum registraram resgates de US$ 6,7 milhões. Somados, US$ 112 milhões deixaram esses produtos em um único pregão.

O movimento se encaixa em um quadro semanal ainda mais severo. Levantamento da CoinShares mostra que produtos de investimento em ativos digitais perderam US$ 1,47 bilhão na semana anterior, terceiro maior resgate semanal de 2026. Os fundos de BTC concentraram US$ 1,315 bilhão dessa fuga, pior marca do ano, e o Ethereum somou US$ 223 milhões em saídas.

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Tensão geopolítica e juros pressionam fluxo

A CoinShares atribui o tom defensivo ao conflito envolvendo o Irã, com resgates extrapolando os EUA e atingindo Suíça, Canadá e Hong Kong. A pressão se soma ao avanço da curva de juros americana, que reduziu o espaço para estratégias de arbitragem com cripto.

Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, avalia que parte da venda decorre do próprio preço. Para ele, o BTC já opera abaixo do preço médio de aquisição dos ETFs, o que dispara stops e realização de prejuízo. “A curva de Treasuries deslocou-se para cima como um todo, comprimindo o apetite do capital de arbitragem”, disse ao Decrypt. O analista descreve o mercado como em modo “esperar para ver”: dados de opções não mostram direção clara, e investidores estariam comprando proteção em vez de apostar em colapso ou reversão rápida.

O cenário macro brasileiro adiciona uma camada relevante. Com o real próximo de R$ 5,50 e o CDI ainda acima de dois dígitos, o investidor local enfrenta dupla pressão: renda fixa em reais segue competitiva, e a tradução do BTC em moeda local amplifica a volatilidade percebida. Não por acaso, exchanges nacionais como Mercado Bitcoin e Foxbit relataram queda no ticket médio nas últimas semanas, em sintonia com o esfriamento global.

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Hyperliquid quebra a tendência

Os dois ETFs de Hyperliquid listados no mercado americano somaram US$ 10,95 milhões em entradas na segunda-feira. A sequência positiva começou em 13 de maio, com aporte inicial de US$ 1,17 milhão, e teve pico em 20 de maio, quando os produtos atraíram US$ 25,5 milhões em um único dia.

O fluxo acompanha a performance do token. O HYPE renovou máxima histórica em US$ 64,21 no domingo, acumula alta próxima de 50% no último mês e mais de 140% no ano. Parte do impulso veio da estrutura adotada pela Bitwise no lançamento do BHYP: a gestora destina 10% das taxas de administração para comprar HYPE diretamente no balanço corporativo, criando demanda recorrente independente do fluxo do ETF.

Sun, porém, alerta para o risco regulatório. CME e ICE teriam pressionado o Congresso americano por mais escrutínio sobre a plataforma. “Os riscos não apenas existem como crescem continuamente”, afirmou. O movimento, paradoxalmente, atesta a relevância do volume operado pela exchange descentralizada — algo que já vinha sendo apontado em relatórios anteriores de fluxo.

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Bitcoin no radar dos US$ 84 mil

O Bitcoin é negociado a cerca de US$ 77.140, com leve queda de 0,3% em 24 horas, segundo o CoinGecko. No mercado de previsões Myriad, os usuários atribuem 74% de probabilidade de o BTC retestar US$ 84 mil antes de cair a US$ 55 mil — número que era 86% em 14 de maio, antes do tombo de US$ 81,7 mil para US$ 74,5 mil. Para quem acompanha o vencimento de opções desta semana, a região de US$ 77 mil segue como pivô crítico, com a curva de juros americana ditando o próximo passo.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.