- Trump anuncia US$ 2,013 bilhões em incentivos federais para empresas de computação quântica
- IBM, GlobalFoundries e Rigetti recebem aportes diretos do governo americano
- Quantinuum prepara IPO na Nasdaq para 4 de junho com apoio da Honeywell
O setor de computação quântica ganhou um catalisador inédito nesta semana. O presidente Donald Trump anunciou um pacote de US$ 2,013 bilhões em incentivos federais voltados a empresas que desenvolvem hardware e software quânticos nos Estados Unidos. O movimento mira posicionar o país à frente da China na corrida tecnológica e já provocou rali nas ações listadas em Nova York.
Cinco companhias concentram a atenção dos investidores, IBM, GlobalFoundries, IonQ, Rigetti Computing e Quantinuum. O critério combina endosso governamental, fluxo de receita, lucratividade e, no caso da última, uma estreia em bolsa marcada para o início de junho.
Gigantes lucrativas puxam a fila
A IBM aparece como principal beneficiária entre as nomes consolidados. A companhia reportou lucro líquido de US$ 1,216 bilhão sobre receita de US$ 15,9 bilhões no trimestre mais recente. Nas últimas quatro semanas, o papel subiu mais de 27%, sendo negociado em US$ 291 e levando o valor de mercado a cerca de US$ 248,3 bilhões.
A GlobalFoundries (GFS) recebeu US$ 375 milhões do Tesouro americano e, no mesmo dia, lançou a unidade Quantum Technology Solutions, já com clientes ativos. A fabricante de semicondutores fechou o primeiro trimestre com receita de US$ 1,634 bilhão e caixa de US$ 3,8 bilhões, cotada a US$ 79,97, com capitalização próxima de US$ 44,2 bilhões.
Apostas em crescimento acelerado
Quem busca crescimento explosivo olha para a IonQ. A empresa não entrou na lista de contemplados pelo aporte federal, mas suas ações subiram 12% no dia do anúncio efeito puro de elevação setorial. A receita do primeiro trimestre de 2026 saltou 755% na comparação anual, para US$ 64,7 milhões. A guidance anual foi revisada para a faixa entre US$ 260 milhões e US$ 270 milhões. No acumulado de 30 dias, o papel acumula alta superior a 63%, em US$ 69.
A Rigetti Computing embolsou US$ 100 milhões do governo e mantém seu sistema de 108 qubits ativo no Amazon Braket e no Azure Quantum. A receita triplicou ano contra ano, de US$ 1,47 milhão para US$ 4,4 milhões, sustentada por um caixa de US$ 590 milhões. O RGTI subiu mais de 56% no mês, sendo negociado em torno de US$ 25,16. Já a Quantinuum, controlada pela Honeywell, também recebeu US$ 100 milhões e prepara estreia na Nasdaq em 4 de junho de 2026. Mais informações sobre o IPO devem constar no prospecto registrado na SEC.
O que isso significa para o mercado cripto
Para o investidor brasileiro de cripto, o tema vai além das ações. Há anos, especialistas apontam a computação quântica como uma ameaça latente à criptografia que sustenta o Bitcoin e outras blockchains. Relatório recente da Glassnode estimou que cerca de 30% do supply do BTC ficaria vulnerável a um computador quântico suficientemente potente, sobretudo moedas em endereços antigos que reutilizaram chaves públicas.
Esse risco ainda é tratado como horizonte de longo prazo. Os sistemas atuais, mesmo após o aporte de Trump, operam com qubits instáveis e correção de erros incipiente. Mas a aceleração do financiamento estatal encurta o cronograma e pressiona desenvolvedores de protocolos como Bitcoin e Ethereum a adotarem assinaturas pós-quânticas antes que a ameaça se materialize.
O Bitcoin é negociado nesta sexta-feira a US$ 74.157, equivalente a R$ 374.499, com leve alta de 1% em 24 horas. O ativo segue sob pressão macro após dados de inflação americana mais fortes do que o esperado, enquanto o capital institucional avalia exposição simultânea a teses de IA, quântica e cripto. Para acompanhar fluxos correlatos, vale observar o comportamento recente dos ETFs de Bitcoin e o reposicionamento das baleias do mercado.