- Ripple liberou 1 bilhão de XRP do escrow em três transações distintas
- Saldo bloqueado cai para cerca de 38,15 bilhões de tokens em junho
- David Schwartz minimiza efeito de queima ao citar caso da Stellar
A Ripple executou nesta semana mais uma rodada do seu cronograma mensal de liberação de XRP mantido em escrow. A operação, identificada pelo monitor on-chain Whale Alert, destravou 1 bilhão de tokens divididos em três transações distintas no início de junho de 2026.
A maior delas movimentou 500 milhões de XRP, equivalentes a aproximadamente US$ 666 milhões na cotação registrada no momento do desbloqueio. As outras duas transferências liberaram, respectivamente, 400 milhões e 100 milhões de tokens, totalizando algo próximo de US$ 1,33 bilhão em valor nominal. O movimento segue o calendário automatizado que a empresa implementou em 2017 para dar previsibilidade à oferta circulante.
O contexto de preço, porém, não favorece o ativo. O XRP é negociado a US$ 1,30 nesta manhã, com queda de 2,6% nas últimas 24 horas, acompanhando a correção generalizada do mercado cripto. Bitcoin recuou para US$ 72.552 e Ethereum perdeu o patamar de US$ 2 mil, configurando um pano de fundo desfavorável para a digestão de novo supply.
Quanto ainda resta no escrow
O XRP Ledger opera com um teto rígido de 100 bilhões de tokens. Segundo dados de mercado da Binance referentes a junho de 2026, aproximadamente 61,85 bilhões já estão em circulação no mercado aberto. O saldo bloqueado em contratos de escrow da Ripple, portanto, encolheu para cerca de 38,15 bilhões de XRP.
Esse número, contudo, engana quem espera ver o cofre esvaziado em prazo curto. A empresa costuma reescrever a maior parte do bilhão liberado, mantendo apenas uma fração para uso operacional pagamentos a parceiros do RippleNet, vendas institucionais via OTC e despesas corporativas. Na prática, cada mês que passa adiciona novo intervalo ao final do calendário, transformando o cronograma em algo próximo de um ciclo perpétuo.
Para o investidor brasileiro, o impacto direto costuma ser baixo no curto prazo. As exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit não enxergam picos de oferta nos dias seguintes aos desbloqueios, justamente porque o destino majoritário dos tokens é o retorno ao escrow. Ainda assim, o evento alimenta uma narrativa que pesa sobre a tese de longo prazo: a percepção de que a Ripple controla uma fatia desproporcional do supply.
O debate sobre uma eventual queima
A pergunta que volta ao radar a cada liberação é se a Ripple poderia simplesmente queimar o saldo remanescente. David Schwartz, CTO da empresa, já afirmou em publicações no X que a companhia devolve voluntariamente ao escrow todo XRP que não pretende usar. Segundo ele, se o objetivo fosse garantir que os tokens nunca chegassem à circulação, isso poderia ser feito unilateralmente inclusive por meio da transferência do controle da conta, que produziria efeito equivalente.
O CEO Brad Garlinghouse também já abriu espaço publicamente para considerar uma queima massiva. Schwartz, porém, joga água fria na expectativa de que tal movimento dispararia o preço. Ele compara o cenário ao da Stellar Development Foundation, que em 2019 queimou 55 bilhões de XLM quase metade do supply total. O impacto durou pouco mais que algumas sessões.
O recado é importante para quem aposta na narrativa de escassez como gatilho. Tokenomics agressiva sozinha não sustenta preço sem demanda compatível. Em outro vetor recente, a saída de XRP das corretoras tem sido apontada como sinal mais relevante de acumulação do que o ritmo de escrow.
Enquanto isso, o mercado segue dividido entre quem vê os futuros de XRP na CME como porta de entrada institucional e quem prioriza o avanço de ETFs spot do ativo nos Estados Unidos, ainda travados em análise regulatória. O cronograma de escrow, por ora, continua rodando no piloto automático um dado estrutural já precificado, mas que volta à pauta a cada janela mensal.